terça-feira, 4 de setembro de 2018

(Capítulo 85 – Campo Grande)


Acordei no dia seguinte me sentindo bem mais disposta, isso era bom, pois logo após o almoço nós partiríamos para a nossa viagem. Tentei não pensar no sonho da noite anterior, esse era um daqueles sonhos que você acorda e só quer esquecer tudo o que aconteceu nele. Luan me ajudou em não tocar no assunto, ele me conhecia, me entendia, sabia que aquilo não me faria bem. Decidimos ir almoçar na casa dos pais de Luan, de lá nós sairíamos todos juntos para o aeroporto. Antes passamos na clinica de Paula, pois eu precisava fazer alguns exames simples e assim receber a autorização para a viagem. Tudo estava maravilhosamente bem, Luisa estava tranquila, minha pressão estava boa, mas isso não impediu que minha médica me enchesse de recomendações.

Era quase 16h00 quando chegamos ao sitio do tio de Luan, tudo estava sendo preparado com muito capricho para comemorar mais um ano de vida daquele homem tão especial. A família chegava aos poucos, tanto porque os parabéns seriam apenas amanhã e a festa seguiria até o domingo a noite. Seria um final de semana muito divertido, eu estava animada, não sentia nenhum incomodo, nem enjoos. Ocupamos um dos tantos quartos daquele lugar enorme, Luan preferiu um dos de baixo, garantindo que eu não ficaria subindo e descendo escadas a todo o momento. 

— Você está linda com esse barrigão, Alice! — uma das tias de Luan me abraçou carinhosamente — E essa bebê que só cresce?

— Ela está enorme mesmo. — sorri acariciando minha barriga.

— Você está com quantas semanas? — Amanda perguntou — Oi, princesinha da prima! — ela fez carinho chamando Luisa.

— Estou com 33 semanas.

— 8 meses, né? — concordei com a cabeça.

— Falta pouco pra ela chegar, que benção! — Jéssica completou.

— O que vocês querem com a minha netinha, hein? — Dona Mari se aproximou.

— Ih, Mari toda babona. — sua cunhada brincou.

Ficamos todas conversando por alguns longos minutos na varanda, falando de quando as tias de Luan estavam grávidas, enquanto Jéssica dizia que queria logo ter um bebê pra ela. Luisa acabou ganhando alguns presentinhos de suas tias e primas, presentes que me deixavam sempre muito feliz. Eu estava me sentindo um pouco cansada, meus pés estavam inchados, minhas costas doíam e meus olhos pesavam de sono. Resultados de uma viagem, contanto com minha animação, fazendo com que eu não parasse depois que chegamos. Eu não queria sair de onde estávamos, nossa conversa estava boa e elas eram extremamente animadas. Mas claro que só precisou de um olhar meu para que Luan entendesse que eu precisava descansar. Ele estava tomando tereré com seus primos e tios, mas levantou falando algo com eles, deixou o tereré lá e seguiu até mim.

— Vocês me deem licença, mas essas moças aqui precisam descansar. — Ele falou me estendendo a mão.

Dei um “tchau” animado para elas, mesmo querendo continuar lá, mas meu cansaço falava mais alto. Seguimos conversando até o quanto, ele comentava que meus pés estavam mais inchados do que o normal e que eu precisaria ligar para Paula. E foi exatamente a primeira coisa que eu fiz assim que entramos no quarto, liguei para o meu anjo em forma de médica. Ela me disse que era normal por conta do voo, principalmente porque eu não sosseguei depois que chegamos e que eu precisava descansar agora. Pediu pela milésima vez que eu tomasse bastante água, pediu também que eu me banhasse com água morna, porque assim eu relaxaria mais rapidamente.

— Tem certeza que você não quer ficar lá com sua família? — perguntei a Luan enquanto ele preparava a banheira com água morna.

— Vocês duas são a minha família. — ele respondeu me olhando.

— Prefere mesmo ficar aqui com essa gravidinha inchada? — sorri me aproximando — Eu não tenho muito a lhe oferecer essa noite.

— Você tem o seu amor. — ele respondeu com seu rosto bem próximo ao meu — E isso basta pra mim. — sussurrou me beijando logo em seguida.

— Eu te amo tanto, sabia? — falei quando encerramos o beijo.

— E eu te amo ainda mais!

Depois da nossa banheira prontinha com água morna e pétalas de rosas, tomamos banho juntos, enquanto maravilhosamente meu marido fazia uma massagem nos meus pés. Eu acredito que nada nesse mundo, pode proporcionar uma sensação melhor, do que você abrir seus olhos e enxergar o homem da sua vida bem na sua frente. Ele está lá, te cuidando, lutando por sua proteção com tanta dedicação e amor.

— Esses dias eu estava me lembrando de quando nos conhecemos na casa de shows do Rafa. — falei enquanto eu arrumava a cama para que pudéssemos nos deitar.

— Naquele dia eu estava querendo curtir, mas aí você veio e fez com que eu me apaixonasse. — falou sincero — Eu não esperava encontrar a mulher da minha vida em um sábado como qualquer outro.

 — Você se apaixonou mesmo por mim naquela noite? — o olhei.

— Eu me apaixonei por você no mesmo instante em que eu te vi chegando com a Laura. — se aproximou — E desde então eu não consegui mais tirar você da minha cabeça, nem muito menos do meu coração.

— Quanto romantismo. — o beijei — Eu sou muito apaixonada por você, desde sempre. 

— Então você vai tomar uma sopinha gostosa que minha mãe vai fazer agora? — me olhou sapeca.

— Sopa, amor? — fiz careta só de imaginar.

— Sopa sim, você ama a sopa da minha mãe. — me deu um beijo carinhoso — Eu já volto.

— Traz umas torradinhas, tá bom?

Enquanto Luan buscava nosso jantar, eu fiquei deitada, tentando descansar e conversando com minha pequena. Eu fazia carinho em minha barriga, fiquei me lembrando de tudo o que aconteceu durante um ano na minha vida. Meu trabalho, meu casamento, minha gravidez, tudo parecia uma grande loucura, mas era apenas a minha mais linda realidade. Em um ano aconteceram coisas que para muitas pessoas pode demorar uns cinco ou seis anos, para alguns até mais. Realmente, quando as coisas estão certas para acontecer, não tem tempo que espere. Nesse momento eu me sinto extremamente feliz, me sinto completa, como eu nunca me senti antes. Tenho meu trabalho, um marido incrível, estou prestes a ter minha maior riqueza nos braços, tenho duas famílias que me amam profundamente. Eu seria egoísta de pedir qualquer coisa a Deus, Ele foi generoso demais comigo, de uma maneira que não tem nem explicação.

Não demorou muito para que Luan voltasse, trouxe nossa sopa maravilhosa, feita especialmente por minha sogra. Trouxe uma cesta enorme com muitas torradas maravilhosas, me fazendo comemorar e o agradecer com muitos beijos. Ele explicou para sua família que jantaríamos no quarto por conta do meu cansaço, claro que todos entenderam. Eu não me lembro de muita coisa depois do jantar, apenas de Luan conversando sobre seu novo projeto, mas aí eu já estava quase no meu segundo sono.

Acordei no dia seguinte bem melhor, meus pés estavam desinchados, minhas costas não doíam mais e minha filha reclamava de fome. Luan não estava no quarto, então tomei um banho rápido, coloquei uma roupa mais fresca e sai a sua procura. Encontrei apenas minha sogra na cozinha, acompanhada de duas tias de Luan, elas preparavam coisas gostosas para o almoço.

— Bom dia, Alice! — Dona Mari me olhou sorrindo.

— Bom dia! — cumprimentei todas — Luan saiu?

— Saiu sim, foi comprar umas carnes para o churrasco. — respondeu cortando algumas verduras — Venha comer, tem um café maravilhoso aqui pra vocês.

— Você está melhor? — uma das tias de Luan perguntou carinhosa.

— Estou sim. — respondi enquanto comia — Ontem me senti mais cansada por conta da viagem, fora que eu não sosseguei depois que cheguei.

— E Luan todo cuidado. — Ela me olhou sorriu.

— Ele está se mostrando um marido maravilhoso. — dona Mari falou orgulhosa — Não é mesmo, Alice?

— Demais! — a olhei — Ele é cuidado, compreensivo, extremamente paciente e muito amoroso.

— Não tem do que reclamar, hein?

— De jeito nenhum! — sorri.

Continuamos conversando por um bom tempo, aos poucos as meninas foram acordando, pois elas passaram quase a noite inteira acordadas. Elas sentaram comigo, tomaram café, enquanto eu explicava sobre como eu queria que acontecesse o parto de Luisa. Todas eram curiosas, perguntavam de tudo, mas eu não me importava e contava a elas tudo o que eu sentia com a minha gravidez.

— Você enjoou muito? — Jéssica perguntou curiosa.

— Eu enjoei mais nos primeiros meses, mas valeu por todos os meses.

— E depois foi passando conforme ela foi crescendo? — Amanda perguntou.

— Quando eu cheguei aos quatro, cinco meses, eu sentia bem menos enjoos.

— E em relação ao sexo, tudo normal? — Jéssica agora perguntou mais discretamente.

— Tudo normal, inclusive eu sentia até mais vontade. — Confessei rindo.

— Sentia? — Bruna perguntou me olhando.

— Até a lua de mel foi muito tranquilo e conseguimos aproveitar bastante, mas depois que eu entrei no oitavo mês, me sinto um pouco mais desconfortável. — a olhei — Luan mesmo se sente desconfortável, porque ele tem medo de machucar Luisa. — começamos a rir.

— Nossa, mas tem algum perigo?

— Minha médica diz que é até bom a gente ter relação nessas ultimas semanas de gestação, porque facilita na hora do parto, sabe? — elas concordaram — No oitavo mês ainda é bom, mas me sinto insegura.

— E ele tem que ter todo cuidado do mundo, né? — Jéssica perguntou.

— Sim, demais! — a olhei — Mas existem casais que continuam com as relações sexuais até mesmo dias antes de o bebê nascer, vocês acreditam?

— Nossa, imagina se machuca o bebê? — Bruna se apavorou.

— Paula me contou sobre a história de uma paciente que teve relações um dia antes do bebê dela nascer. — olhei todas as meninas que se mostravam extremamente curiosas — Na hora o pai sentiu a cabecinha da criança, gente.

— PORQUE ESTAVA ENCAIXADA! — Amanda gritou no fazendo entrar em uma crise de riso.

— O que estava encaixada? — minha sogra perguntou se assustando com os gritos de Amanda.

— O bebê de uma amiga da Alice, que no oitavo mês já estava encaixada. — Bruna respondeu rindo.

O sol estava quente, acabamos decidindo então ir pra piscina e continuar nossa conversa lá. Eu coloquei um biquine que comprei na loja de Laura, ele era confortável, comportado e extramente lindo.  Eu preferi não entrar logo na piscina, fiquei sentada na borda, enquanto as meninas falavam de quando Luan começou sua carreira. Não demorou muito para que os homens chegassem, todos carregados de muita carne, bebidas e conversas que só eles entendiam. Assim que ele me viu, abriu um sorriso lindo, fazendo meu coração se encher de um amor que só ele tinha o poder de me proporcionar.

— Olha só quem está aqui tomando um banho de piscina. — se abaixou para me beijar — Acordou melhor?

— Acordei sim! — o olhei com amor — Apesar de não ter meu marido ao meu lado na cama, né?

— Eu fiquei com dó de te acordar. — me beijou novamente.

— Entra comigo na piscina? — pedi.

— Entro, vou só deixar as coisas lá com o pessoal e volto pra gente tomar um banho. — me deu um ultimo beijo.

Passamos o resto da manhã inteira na piscina, mas de vez em quando Luan voltava para a churrasqueira. Prepararam um churrasco maravilhoso, ainda provei um pedacinho de carne, mas preferi ficar no meu almoço saudável. Durante toda a tarde eu aproveitei para descansar, eu sabia que seria uma noite longa, daquelas que não tem horário pra acabar. Já era noite quando eu acordei, percebi que Luan estava no banho, enquanto eu tentava digerir o que estava acontecendo depois de uma maravilhosa tarde de sono.

— Acordou a bela adormecida. — Luan me olhou ao sair do banheiro.

— Vem cá, benzinho. — o chamei carinhosamente — Sente aqui a sua filha toda animada. — coloquei sua mão na minha barriga.

— Coisa mais linda do pai. — sorriu encantado — ela não para.

— Ela é uma sapeca, igual você.

— Será que ela vai querer cantar? — ele perguntou animado.

— Não sei, mas eu tenho certeza que ela será muito apaixonada por você.

— Se ela quiser cantar, vamos dar todo apoio. — ele beijou minha barriga.

— Vamos sim.

Luisa estava animadíssima, não parava de chutar, certamente queria bater um papo com seus pais que a amavam tanto. Ficamos os três curtindo aquele momento, Luan gargalhava toda vez que ela chutava ao ouvir sua voz, fazendo minha alegria triplicar. Enquanto meu marido terminava de se arrumar, eu tomei um banho demorado, coloquei um macacão confortável e lindo, fiz uma maquiagem leve, deixei meu cabelo solto e seguimos para onde todos estavam. A festa estava linda, todo mundo muito animado, alguns animados até demais, nos fazendo rir das bobagens deles. Outros amigos acabaram aparecendo para os parabéns, outros apenas deram uma passada rápida.

Todos os tios de Luan estavam presentes, primos, amigos da família, pessoas que eram extremamente importantes na vida dele. Era nítida a sua felicidade, ele estava no lugar que mais amava, ao redor daqueles que estiveram com ele desde sempre. Sinto uma felicidade imensa em saber que hoje eu faço parte dessa família, da história dele, de seu presente e futuro. Eu sou muito grata por tudo, principalmente por ele ter me escolhido, por ter me permitido entrar na sua vida e fazer morada nela. Eles me olhavam com amor, com admiração e respeito.

O momento dos parabéns foi emocionante, Luan fez uma homenagem linda ao seu tio, cantando uma de suas músicas favoritas. Eles cantaram juntos, quando logo todos os outros irmãos e sobrinhos estavam lá, cantando com uma alegria que era contagiante. E assim a festa deu continuidade, depois de palavras de agradecimento do aniversariante, eles aproveitaram aquela noite que estava apenas começando. Luan prometeu que não beberia muito, mas eu não o impedi de aproveitar, queria que ele se divertisse com sua família.  

Já passava das 2h00 quando meu corpo pediu uma pausa, eu estava me sentindo um pouco cansada, mas queria continuar aproveitando a festa. Sentei em uma mesa na companhia de minha cunhada, ela estava um pouco bêbada, enquanto inutilmente se controlava pra não mandar mensagem para seu ex-namorado.

— Manda logo essa mensagem. — a olhei.

— Você acha que eu devo mandar? — perguntou olhando para o celular — E se eu me arrepender amanhã, cunhada?

— Então não manda. — dei de ombros.

— Mas eu quero mandar...

— Quer mandar o que? — Luan apareceu com um copo de bebida na mão.

— Nada. — ela respondeu me fazendo rir.

— Vem dançar comigo? — ele me estendeu a mão.

— Você tá bêbado? — perguntei o olhando.

— Eu não. — ele respondeu rindo.

— Então vamos. — me dei por vencida.

Começamos a dançar coladinhos, obviamente que eu estava descalça, pois não aguentava mais a sandália que estava machucando meus pezinhos de grávida. Dançamos duas músicas, uma delas foi “pergunta boa”, a música que tinha uma grande importância no nosso relacionamento.

 — Você com esse cabelo preto sorriso sem jeito. — ele começou a cantarolar — Foi chegando perto, chegou perto demais. — cheirou meu pescoço.

— Amor... — segurei seu rosto com as duas mãos — Vamos pro nosso quarto?

— O que você quer? — ele me olhou intensamente.

— Eu quero fazer amor com você. — sussurrei em seu ouvido.

Não era preciso que disséssemos mais nenhuma palavra, nossos olhares eram suficientes para que o outro compreendesse tudo o que sentíamos naquele momento. Eu o amava tanto, amava seu cheiro, amava seu corpo, sua maneira como ele me cuidava e me respeitava. Era eu, ele, nosso quarto e uma noite que prometia muito amor.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

(Capítulo 84 – Sonho)


Semanas depois...

Algumas semanas se passaram desde o dia mais lindo e especial de nossas vidas, aquele em que nos unimos para sempre. Eu estava com 33 semanas, 08 meses de gestação e minha Luisa só crescia mais e mais a cada dia. Nós nos mudamos para a nossa casa logo depois da lua de mel, que inclusive foi linda e extremamente inesquecível. Durante esse mês muitas coisas aconteceram, inclusive uma reuniãozinha aqui em casa para receber nossa família. Meus pais vieram, os pais de Luan, nossos irmãos e alguns amigos íntimos.  Aproveitamos o dia para convidar Laura e Douglas para serem os padrinhos de Luisa, com toda certeza do mundo, não poderíamos escolher pessoas melhores para serem reflexo do amor para nossa filha. Obviamente que eles aceitaram, ficaram muito emocionados e felizes com o convite de serem os segundos pais de nossa filhinha. Ainda me lembro de Luan brincando com Douglas, dizendo que agora o trabalho não seria unicamente dele. Ah, ainda falando em Laura e Douglas, eles estavam noivos, noivaram logo após o nosso casamento. Todos estavam imensamente felizes por eles, eu sempre soube que Douglas era a pessoa certa para a minha prima.

Era uma noite de quinta-feira comum, eu estava em casa preparando um lanche, enquanto meu marido tomava seu banho depois do futebol. Ele passaria aquele final de semana comigo, coisa que me fez agradecer imensamente a Deus, porque tudo o que eu precisava era dele ao meu lado naquelas ultimas semanas de gestação. Eu estava me sentindo cansada, pesada, minhas costas doíam e meus pés não paravam de inchar. Em alguns dias eu me sentia extremamente disposta, mas em outros eu acordava sem coragem até para abrir os olhos.

— Amor? — Luan me chamou descendo as escadas.

— Estou aqui na cozinha!

— Tá fazendo o que? — ele perguntou me abraçando por trás.

— Sanduíche de peito de peru. — falei fechando meu sanduíche — Você quer? 

— Uhum... — respondeu beijando meu pescoço — Amanhã vai ser aniversário de um dos meus tios, irmão do meu pai. — começou a falar — Vai acontecer um churrasco lá no sítio dele, em Campo Grande.

— E você quer ir? — O olhei.

— Seria legal de a gente ir. — eu sabia que ele queria muito comemorar o aniversário de seu tio — Mas aí não sei se você pode ir.

— Eu posso falar com a Paula pra saber o que ela me diz. — falei carinhosa — Quem sabe ela não me deixa ir?

— Será? — me olhou preocupado — Só se for realmente seguro, porque eu não quero que você se sinta mal durante a viagem.

— Tudo bem, falo com ela ainda hoje.

Enquanto eu terminava de preparar nossos sanduíches, Luan não parava de tagarelar um minuto sequer. Falava que todos estariam em Campo Grande nesse final de semana, que seria maravilhoso reunir a família toda e comemorar o aniversário de seu tio tão amado. Com toda certeza do mundo, seria uma decepção pra ele caso Paula não me permitisse ir nessa viagem.

— Vai todo mundo mesmo? — perguntei quando estávamos sentados comendo nossos lanches.

— Eu acredito que sim, amor... — respondeu de boca cheia.

— Que é isso, Luisa? — reclamei sentindo minha filha chutar forte minha barriga.

— O que foi? — Luan me olhou preocupado.

— Luisa que não para quieta. — fechei meus olhos.

— Será que ela está incomodada? — ele se aproximou fazendo carinho em minha barriga.

— Acho que sim... — respirei fundo — Paula disse que o espaço agora está pequeno pra ela.

Terminamos de comer, enquanto carinhosamente Luan coversava com nossa menininha e pedia que ela não maltratasse de mim. Tudo o que eu mais queria era que Luisa chegasse logo, queria sentir minha princesa, pegar, cheirar e olhar aqueles olhinhos, que eu torcia para que puxasse os de seu pai. Subi para o quarto, eu precisava descansar, mas Luan continuou na sala, tomando seu tereré e assistindo a uma série que ele amava. Aproveitei para ligar logo para Paula, eu precisava de uma resposta e torcia para que ela fosse positiva.

— E então, Paula? — perguntei depois de contar a ela sobre nossa viagem — Você acha que eu posso ir?

— Alice, não é o mais recomendável nessa altura do campeonato. — ela falou me deixando com o coração na mão — Mas se você me prometer que não vai exagerar.

— Eu prometo! — respondi rápido.

— Tem certeza, né? — ela insistiu — Beba bastante água, bastante.

— Não se preocupe. — respondi sorrindo — Vai ser super tranquilo, eu vou ficar quietinha.

— Então, tudo bem! — ela se deu por satisfeita — Quero que me ligue se sentir nem que seja uma respiração diferente, ok?

— Vou ligar de dez em dez minuto. 

— Não exagera, porque eu preciso trabalhar. — falou rindo.

E depois de conversar com Paula por alguns minutos, tomei um banho demorado, aproveitando para hidratar meus cabelos. Cantei, conversei com Luisa e me lembrei de que eu ainda precisava preparar minha mala para a viagem do dia seguinte. Assim que sai do banheiro, coloquei uma camisola confortável, dei uma olhada em algumas roupas e as dobrei colocando todas na cama.

— Vida? — chamei por Luan que ainda assistia — Você pode subir aqui?

— O que foi? — perguntou me olhando assim que chegou ao nosso quarto.

— Pega minha mala que está na parte de cima do closet? — pedi — Tenho que arrumar logo.

— Arrumar? — me olhou surpreso — Você ligou pra Paula?

— Liguei! — respondi sorrindo — Ela me liberou, com a condição de que eu não exagere na viagem, que eu beba bastante água e ligue pra ela o tempo inteiro.

— Isso é ótimo! — comemorou me beijando — Eu te amo, sabia?

— Eu também te amo! — o beijei com amor — Agora você pode tirar minha mala?

— Vou avisar ao pessoal que nós vamos. — falou todo animado — A preta? — perguntou em relação a minha mala.

— Não, eu quero a vermelha. — pedi — Seus pais vão?

— Sim, eles e Bruna. — colocou a mala no chão — E agora nós três. — sorriu.

— Luisa está animada. — falei sentindo minha menina chutar.

— Que cheiro delicioso. — falou cheirando meu pescoço — Deveria ter me convidado pro banho.

— Você tomou banho tem pouquíssimo tempo. — falei enquanto sentia seus carinhos.

— Eu não me importaria de tomar outro. — beijou meu pescoço e colo.

— Vida, eu preciso arrumar minha mala... — supliquei. 

— A gente arruma depois. — ignorou completamente tudo o que eu dizia.

Claro que eu me entregaria a ele naquele momento, mas eu também gostaria muito de organizar minha mala, pois sabia que depois tudo seria uma correria. Enquanto Luan me conduzia até a cama, senti que o clima estava esquentando, mas fomos interrompidos com a campainha da nossa casa tocando insistentemente. Luan reclamou de atrapalharem nosso momento, mas desceu para abrir a porta, mesmo acompanhado de uma carinha emburrada. Abri minha mala, comecei a colocar o que eu precisaria para usar nesse final de semana, tentaria levar o mínimo que eu conseguisse.

— Oi, prima! — Laura chegou batendo na porta do quarto.

— Oi, então são vocês! — a olhei rindo — Tudo bem? — perguntei quando ela se aproximou me dando um beijo no rosto.

— Tudo ótimo! — sorriu se jogando na minha cama — O que você está fazendo?

— Vamos para Campo Grande. — respondi dobrando algumas roupas — Amanhã é aniversário de um dos tios de Luan.

— E você ainda pode viajar? — perguntou preocupada.

— Paula me autorizou. — sorri.

 — E vão passar quantos dias lá?

— Só o final de semana. — a olhei — Na segunda estamos de volta.

— Cuida da minha afilhada, hein? — sentou me ajudando a dobrar as roupas — Não vai fazer nada de muito exagerado.

— Paula disse a mesma coisa, vou precisar ligar pra ela os dias em que eu estiver lá.

— Você não vai acreditar. — ela pareceu se lembrar de algo e começou a rir.

— O que foi?

— Quando estávamos a caminho daqui, Douglas passou na sorveteria. — não se aguentou de tanto rir — E aí comprou sorvete pra você.

— É sério? — comecei a rir.

— Porque ele disse que você está carregando a afilhadinha dele, que ela não pode ficar com vontade de sorvete.

— Que padrinho maravilhoso, meu Deus!

— Eu não quero nem imaginar quando essa menina nascer, o tanto que ela vai ser mimada por esses dois homens.

— O pai e o padrinho mais babões de todos os tempos.

— Vocês pretendem ter mais filhos? — ela me olhou curiosa.

— Eu não sei, acho que só vou conseguir pensar nisso quando Luisa nascer. — respondi sincera — Mas se depender de Luan, nós teremos mais uns cinco filhos.

— Ele é louco por criança, né?

— Demais!

— E ele ainda consegue te superar. — sorriu.

— E vocês? — sentei a olhando — Pretendem ter filhos só depois do casamento?

— Sim, tanto porque eu quero muito ter gêmeos.

— Você e esse seu desejo de ter gêmeos, sempre foi seu sonho.

— E Douglas também quer muito ter gêmeos. — se animou — Não custa nada tentar, né? 

Enquanto conversávamos sobre casamento, filhos, viagens e outras coisas importantes para nós duas, Laura me ajudava a terminar minha mala. Aproveitei para arrumar a mala de Luan, porque eu sabia que se eu deixasse pra ele arrumar, esqueceria mil coisas e ficaria reclamando quando estivesse em Campo Grande. Assim que terminamos de organizar tudo, descemos para ficar com os meninos, que conversavam sobre tantos outros assuntos, mas o principal deles era Luisa. Douglas me trouxe um pote de 2L de sorvete, obviamente que ele estava querendo agradar sua afilhada que eu carregava, mas eu o amava mesmo assim.

Ficamos os quatro conversando por quase três horas, os quatro não, os cinco, porque Luisa participou o tempo inteiro do nosso papo. Ela chutava, me fazia enjoar, chutava de novo e encantava os padrinhos babões que só sabiam se apaixonar ainda mais por nossa princesa. Era quase meia noite quando eles se foram, se despediram da gente e disseram que voltariam na segunda, quando estivéssemos de volta. Eu estava me sentindo cansada, acabei tomando outro banho com Luan, eu precisava relaxar para estar disposta no dia seguinte.

Era madrugada quando eu mergulhei em um sonho com Vicente, coisa que hoje em dia, raramente acontecia. Eu estava com Luisa no colo, sentada, me balançando e ninando a minha filha. Luan estava de pé ao lado da minha cadeira de balanço, nos olhando, enquanto sorria encantado ao ver nós duas tão serenas. Vicente apareceu sorrindo, aquele mesmo sorriso largo que eu tanto amava e que tanto me fazia bem. Ele nos olhou com tanto amor, principalmente para Luisa, que sorriu ao perceber a presença de Vicente. Continuamos todos calados, acredito que nem era necessárias muitas palavras, eu estava me sentindo completa naquele momento. Senti uma paz me invadir, mas ao mesmo tempo um aperto no peito quando Vicente tirou Luisa de meus braços e a entregou para Luan. Não entendi sua atitude, eu queria que ela continuasse ali comigo, mas ele não me permitiu mais tocá-la. Ele me estendeu a mão para que eu levantasse, olhei para Luan e ele continuava admirando nossa Luisa, que agora dormia tranquila em seus braços.

— Está na hora. — Vicente falou pela primeira vez.

— Na hora de que? — o olhei confusa.

— De sermos felizes pra sempre. — sorriu.

— Mas e Luisa? — olhei para a minha filha — Eu não posso deixá-la. — me desesperei — Não posso deixar Luan, eu não posso.

Acabei sentindo um peso no meu corpo, uma dor de cabeça, quando acordei atordoada e repetindo o tempo inteiro: “Eu não posso”. Até que Luan acordou ao ouvir meus gritos. 

— Alice? — me olhou preocupado — Calma, se calma!

— Eu não posso... — tentei falar — Não posso deixar vocês, eu não posso.

— Amor, calma! — se levantou pegando um copo com água — Toma essa água, vai.

— Filha, eu te amo! — falei acariciando minha barriga — Eu amo tanto vocês! — agora o olhei com lágrimas nos olhos.

— Tá tudo bem, vida! — me abraçou tentando me acalmar — Foi só um pesadelo, estamos todos bem!

Passamos quase o restante da noite inteira acordados, Luan o tempo inteiro tentava me passar tranquilidade, ele era minha calmaria. Confesso que só sosseguei quando senti Luisa me chutar, fazendo Luan cantar pra gente, nos passando todo amor que existia dentro dele. Estava quase amanhecendo quando eu consegui dormir, não voltei a sonhar com Vicente, apenas relaxei. Eu estava segura, nada aconteceria comigo, assim como não aconteceria com minha filha e com Luan.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Recadinho da Pati ♡

Oi, meus pontinhos de luz!

Tudo certinho com vocês?

Sim, eu sei que eu sumi e que talvez vocês estejam decepcionadas por isso, mas juro que foi por um bom motivo. Eu precisei enfrentar um momento muito complicado na minha vida, uma fase difícil, mas que me fez compreender melhor as coisas. Foi muito essencial para o meu crescimento espiritual e amadurecimento da alma, espero que vocês entendam. Eu parei nossa história em um momento lindo, quero muito continuar e já estou pensando na próxima história para vocês.
Agora vamos lá... Precisarei da ajuda de vocês para que possamos tomar algumas decisões, ok? Infelizmente o nosso grupo foi excluído lá do facebook, mas quero muito fazer outro para que possamos continuar com nosso contato direto. E aí esses dias eu conversei com algumas leitoras e elas me deram ideias, agora quero saber o que vocês acham.

Vocês acham melhor eu postar a nova história aqui no blog ou no instagram? Porque aí posso fazer uma conta lá só pra gente, o que acham melhor? E aí podemos fazer um novo grupo (no whatsapp é a preferência da maioria de vocês), mas aí eu quero que escolham: um grupo no facebook ou no whatsapp?

Deixem aqui nos comentários o que vocês preferem, quero fazer o melhor pra vocês! Sinto muita falta de escrever, então logo eu volto para dar um fim na história de Alice e Luan, que emocionou tanta gente! E aí eu volto com a “Por toda vida”, uma fanfic onde eu contava a história de uma fã e um ídolo, eu comecei a escrevê-la em 2015, mas infelizmente eu precisei interrompê-la por motivos pessoais que muitos de vocês já sabem. Enfim, como todas as leitoras me pedem muito para continuá-la, eu vou continuar e vocês escolhem onde eu posso postar!

Acho que é só isso...
Obrigada por todo o carinho e compreensão de vocês! Não se esqueçam de deixar o comentário de vocês, ok? Porque é por eles que eu vou saber o que fazer daqui pra frente! Um beijo enorme, dessa escritora desligada e cheia de amor por vocês!

Patrícia Pereira.