sexta-feira, 5 de maio de 2017

(Capítulo 23 – Surpresa)

Sábado chegou lindo, o sol estava mais iluminado que o normal e mesmo resfriada, senti que minha felicidade só aumentava. Voltei para a agência esses dias e me deparei com centenas de trabalhos pendentes e outros muitos para iniciar. Hoje teríamos o show de Luan aqui em São Paulo, eu estava ansiosa, mas minha saudade falava mais alto que qualquer coisa. Era quase meio dia e eu estava na cozinha preparando um fricassé gratinado de frango que eu amava profundamente, Laura estava na sala olhando seu celular e chegou à cozinha.

– Alice? – Me chamou desconfiada – Você tem o snapchat da Bruna?

– Da Bruna? Eu acho que não... – Pensei – Por quê?

– Por nada. – Falou ainda olhando seu celular.

– O que aconteceu, Laura? – Perguntei a olhando.

– O que? Ah, não aconteceu nada. – Silenciou.

– Você não vai me falar? – Perguntei a deixando sem jeito – Não tem problema, eu vejo agora. – Falei seguindo para a sala.

– Não, espera. – Se colocou na minha frente – Não é nada demais.

– Então me mostra o que tem no snapchat da Bruna.

– É só um vídeo de família. – Me entregou o celular e fui olhando cada vídeo, até que apareceu um vídeo no qual Luan dançava todo intimo com uma menina.

– Quem é essa? – Perguntei ainda olhando aqueles vídeos.

– Não sei, deve ser alguma prima dele.

– Prima? E primos dançam assim? – Perguntei a olhando – Eles estão quase se beijando.

– Que exagero, Alice! – Pegou seu celular da minha mão.

– Exagero? Como é que você pode imaginar eu tendo alguma coisa séria com Luan? É assim a vida dele, não existe nesse mundo uma única mulher pra ele, Laura!

– Eu tenho certeza que ele deve ter uma explicação.

– Eu não quero e nem preciso das explicações dele. – Falei voltando para a cozinha – Nós não temos absolutamente nada e eu espero que todos enfiem isso na cabeça.

– Você sabe que ele vai te ligar, né? – Perguntou me ajudando com o forno.

– Eu estou esperando por isso. – Ela apenas me olhou – O que ele acha que está fazendo comigo, Laura? É por isso que eu me isolo tanto, porque sei que o que nós temos não significa nada pra ele.

– Não fala assim.

– Hoje ele só me provou isso.

Continuei fazendo meu fricassé e não toquei mais no assunto, Laura também não me perguntou ou comentou mais sobre isso. Aquele vídeo não saia da minha cabeça, só de imaginar o que pode ter acontecido depois daquela dança, meu estomago chegava a embrulhar. Tomei um banho enquanto continuei perdida em meus pensamentos, coloquei uma roupa fresca e segui para a cozinha. Almoçamos enquanto conversávamos sobre uma sessão de fotos que eu faria na próxima semana. Logo após o almoço, ajudei Laura a organizar a cozinha e segui para o meu quarto, enquanto ela terminava de enviar uns e-mails. Estava a caminho do quarto quando senti meu celular vibrar na minha mão, respirei fundo e tomei coragem para atender, era ele.

– Alô! – Atendi calma.

– Oi, minha princesa! – Estava animado – Tudo pronto pra hoje?

– Tudo. – Foi só o que consegui responder – Você está bem?

– Com muita saudade, mas bem. – Eu tinha vontade de dar uns tapas nele – E você?

– Estou bem.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou agora um pouco mais sério.

– Só que eu vi uns vídeos aqui que não me agradaram muito. – Respondi naturalmente.

– Que vídeos?

– Você quer que eu te mande? Talvez eles consigam refrescar sua memória.

– Alice...

– Luan, eu não quero explicações. – Respirei fundo – Eu só quero que você me responda uma coisa.

– O que?

– O que nós dois significa pra você? – Ele silenciou – Você não consegue me responder?

– Significa muito. – Falou me causando um arrepio na espinha – Significa tanto que você não sai da minha cabeça um minuto sequer. – Silenciou por alguns segundos – Ontem não aconteceu nada, nós só dançamos.

– Foi só isso? – Perguntei me sentindo fracassada.

– Foi, meu amor. – Respondeu carinhoso – Eu jamais brincaria com seus sentimentos, eu estaria brincando com os meus também.

– Você é um idiota.

– Eu sei. – Respondeu naturalmente me fazendo rir – Você acredita em mim?

– Acredito, assim como você também acreditou em mim.

– Então estamos bem?

– E quando que eu consigo não estar bem com você? – Falei chorosa – Você não deveria ter todo esse poder sobre mim.

– Você também tem um poder sobre mim. – Falou simples me roubando um sorriso – Tanto que ontem eu dispensei uma menina linda.

– Ah, então ela era tão linda assim?

– Muito, mas não tanto quanto você. – Isso só fez com que meu coração fraquejasse ainda mais.

– Por que você é assim?

– Porque eu quero fazer você entender que tudo que envolve nós dois é importante pra mim.

– Eu não vejo a hora de poder te ver. – Falei sincera – Estou com muita saudade.

– Falta pouco.

– Que horas você chega lá?

– Acho que ás 18h00min. – Respondeu calmo – Douglas disse que combinou com Laura de ir buscar vocês.

– Sim, eles combinaram.

– Venha direto para o camarim, tá?

– Tá certo.

– Quando chegar aqui você conhecerá uma pessoa. – Falou rindo.

– Que pessoa? – Perguntei confusa.

– Surpresa.

– Meu amor, por favor! – Supliquei para que ele me contasse – Conta pra mim?

– Não adianta fazer isso, porque surpresa é surpresa.

– Eu te odeio, sabia?

– Engraçado, que você não parece me odiar tanto assim. – Começou a rir – Fica aí chorando de saudade.

– Te odeio mais ainda agora.

– Quero ver você me odiar mais tarde.

– Você não vai mesmo me contar?

– Já estou descendo... – Gritou com alguém – Eu não disse que é surpresa?

– Você precisa ir? 

– Preciso, mas estarei te esperando.

– Não se preocupe. – Falei calma – Se cuida, tá?

– Cuide-se você também. – Falou me fazendo sorrir – Beijo, princesa!

– Beijo!

(Fim da ligação)

Sentei ali mesmo no chão, joguei meu celular na cama e comecei a rir desesperadamente ao lembrar que com apenas algumas palavras ele mudava completamente minha opinião em relação a nós dois. Tudo o que eu pensava era em como eu poderia me deixar levar dessa maneira, que poder era esse que ele tinha sobre mim e meus sentimento. Aproveitei aquele tempo para organizar algumas coisas e escolher minha roupa para essa noite especial, mas logo meu sono chegou e acabei tirando um cochilo. Era quase cinco horas quando acordei, tomei um banho demorado e começamos a nos arrumar.

– Luan te ligou? – Laura perguntou enquanto se maquiava.

– Ligou sim. – Respondi arrumando meu cabelo.

– E vocês estão bem?

– Eu não aguento ficar com raiva dele. – Choraminguei – Ele disse que não aconteceu nada, que apenas dançou com a menina.

– Que bom saber disso. – Sorriu me olhando.

– Douglas vem nos buscar, né?

– Vem sim.

Continuamos nos arrumando enquanto Laura cantava alto uma música de Luan, ela parecia mais apaixonada por ele do que eu. Tomei um remédio para o meu resfriado, coloquei outros dois dentro da bolsa e logo estávamos prontas para mais uma noite.


Não demorou muito para Douglas mandar uma mensagem avisando que estava nos esperando no estacionamento, enquanto eu conversava com Benjamim, descemos animadas e rindo com as bobagens do meu irmão. Cumprimentei Douglas e seguimos para o local do show, enquanto no caminho o casal era só amor me fazendo zoar os dois. Demoramos aproximadamente uma hora e meia até chegar ao local, estava tudo muito cheio e entramos por trás. Assustei-me com a quantidade de fãs, com o barulho, o tumulto que aquilo estava se tornando. Algumas pessoas nos olharam quando entramos com a ajuda de alguns seguranças e tive até a leve impressão de ouvir algumas meninas chamando meu nome. Entramos diretamente para o espaço dos camarins, Douglas não soltava a mão de Laura que também segurava a minha. Douglas conversou rapidamente com Roberval que nos olhou acenando simpático, ele pediu que esperássemos um pouco até Luan terminar de atender a imprensa.

– Alice? – Ouvi alguém me chamado. – Não acredito que está aqui! – Bruna me abraçou carinhosamente.

– Bruna, que bom te ver! – Retribui ao abraço – Como você está?

– Eu estou ótima, Alice! – Sorriu me olhando – E você?

– Estou bem. – Olhei Laura – Lembra da Laura?

– Lembro sim. – Sorriu – Tudo bem, Laura?

– Tudo ótimo, Bruna! – A cumprimentou simpática.

Bruna falou rapidamente com Douglas, cumprimentou mais algumas pessoas ali presentes e seguiu para falar com alguns fãs que a chamavam do lado de fora do local. Ela era sempre tão simpática com todos, essa humildade e simplicidade me encantava profundamente.

– Você reparou que algumas meninas me chamaram lá fora? – Perguntei no ouvido de Laura.

– Reparei. – Me olhou sorrindo – Talvez elas te reconheceram pelo comentário de Luan na sua foto.

– Talvez, né? – Ela apenas concordou com a cabeça.

Vimos alguns repórteres saindo do camarim de Luan, Douglas puxou minha mão praticamente escondendo-me atrás dele e sinceramente eu não sabia o que estava acontecendo. Olhei assustada para Laura e logo Roberval nos chamou para que pudéssemos entrar. Quando entramos no camarim, Luan bebia uma água, tinha um segurança, um casal conversando e outras duas mulheres. Luan cumprimentou Douglas e Laura e me olhou que ainda estava assustada com todo aquele tumulto lá fora.

– Oi, tá assustada? – Sorriu me olhando – Vem cá. – Me chamou.

– Estava meio cheio lá fora. – O abracei com toda vontade – Que saudade. – Ele desfez o abraço me olhando.

– Você está encantadoramente linda!  

– Obrigada, meu bem! – Agradeci tímida por ver que nos olhavam.

– Eu estava com tanta saudade de você.

– Não mais do que eu de você. – O abracei novamente.

– Você tá bem? – Perguntou colocando meu cabelo atrás dos ombros.

– Uhum. – Respondi embriagada com seu cheiro.

– Quero te apresentar uma pessoa. – Me olhou segurando minha mão – Vem cá. – Seguiu comigo para outro local do camarim, onde encontramos duas mulheres conversando. – Com licença. – Reconheci uma delas que era assessora de Luan e a outra eu não conhecia. – Mãe? – A chamou me fazendo automaticamente o olhar – Essa daqui é a Alice! – Me apresentou a ela que sorriu mostrando o quanto era linda e simpática. – Essa é a minha mãe, Marizete!

– É um prazer conhecê-la, Alice! – Falou me abraçando carinhosamente.

– O prazer é todo meu, Dona Marizete! – A olhei sorridente.

– Luan tinha razão quando disse que você é linda. – Me olhou segurando minha mão – É muito bom poder te conhecer. – Olhei Luan que sorria.

– Eu estou muito feliz em poder conhecê-la. – Segurei sua mão.

– Chega aí... – Luan falou chamando um homem – Esse é meu pai, Amarildo! – Ele me olhou sorrindo – Essa é a Alice, pai!

– É um prazer conhecê-la, Alice!

– Muito prazer, Seu Amarildo! – O cumprimentei simpática. 

– Mas que menina linda, Luan! – O olhou batendo em seu ombro.

– Linda, né? – Me abraçou fazendo com que meu sorriso mais lindo aparecesse.

Foi maravilhoso poder conhecer os pais de Luan, eles eram incríveis e me senti extremamente bem ao estar na presença deles. Eu não sabia o que aquilo significava para Luan, mas eu sabia que para mim significava muito. Fisicamente Luan tinha tanto dos dois, porém o que mais me chamava atenção era essa simplicidade que ele carregava da família. Ele não poderia ter preparado surpresa melhor que essa, que me trouxe tanta alegria. A cada dia ele me surpreendia mais, fazendo meu coração se encher de amor. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

(Capítulo 22 – Recaída)

(Luan narrando)

Era noite de quinta-feira, eu estava em Campo Grande com minha família. Era aniversário de um dos meus tios e como amanhã teríamos um show aqui, aproveitei para vir um dia antes e comemorar junto com todos. Estávamos hospedados na casa da minha tia, era um sítio lindo e eu me sentia extremamente bem ali. Conversei com Alice durante alguns minutos, eu senti sua falta durante essas duas semanas e isso estava me deixando muito preocupado. A cada dia eu me encontrava mais confuso em relação a nós dois, ela mexia demais comigo e uma simples possibilidade de vê-la novamente, me deixa louco. Isso nunca aconteceu comigo, confesso que no primeiro momento eu imaginei que ela seria apenas mais uma que eu levaria para o hotel e pronto. Mas as coisas não aconteceram conforme eu previa, ela colocou minha vida de cabeça pra baixo em apenas um encontro, em apenas uma noite de amor. Agora eu estava aqui, sentindo algo que eu desconhecia, completamente louco de saudade e sem conseguir encontrar uma saída para toda essa situação.

– Posso entrar. – Minha mãe bateu na porta do quarto onde eu estava.

– Claro que pode. – Sorri colocando meu celular de lado.

– Tá tudo bem? – Ela perguntou sentando ao meu lado na cama.

– Está sim, mãe.

– Eu passei por aqui agora pouco e você estava no telefone. – Procurou as palavras – Estava falando com a Alice? – A olhei confuso

– Como a senhora sabe da Alice?

– Bruna me contou dela.

– A Bruna não sabe guardar nada da senhora, né?

– Você não queria que eu soubesse? – Ela falava com toda calma.

– Não é isso... – Tentei encontrar a maneira certa de falar. – É que não tem nada certo.

– Quando se conheceram?

– Acho que tem uns dois meses. – A olhei – Só que ela tá me deixando louco.

– Eu estou vendo. – Sorriu me olhando. – Como ela é?

– Linda... – A olhei sorrindo – Ela é doce, simples, tem um sorriso encantador. – Fechei meus olhos ao lembrar seu rosto. – Ela é tímida, mas ao mesmo tempo é brincalhona e anima qualquer pessoa que estiver ao seu redor.

– Ela parece ser uma pessoa boa. 

– Sim, ela é uma pessoa incrível.

– Bruna me disse a mesma coisa. – Sorriu olhando suas mãos – Você está apaixonado?

– Eu não sei bem o que eu estou sentindo. – Brinquei com meus pés – Ela me causa uma sensação de paz, me sinto bem ao estar com ela.

– E ela sente o mesmo?

– Eu acredito que sim. – Falei simples – Ela não me olha como as outras pessoas, sabe? Que só enxergam o Luan Santana. – Tentei explicar – Ela me olha como eu sou aqui com a senhora.

– Isso é lindo da parte dela. 

– Ela é uma pessoa boa. – Sorri a olhando – Tem um coração lindo e uma alma mais linda ainda.

– Você está realmente apaixonado. – Segurou minha mão – Por que você está tão confuso?

– Porque as coisas não são tão fáceis assim, a senhora sabe. – Ela concordou com a cabeça – Eu queria voltar no tempo, queria fazer tudo diferente e poder conhecer Alice novamente.

– Mas infelizmente você não pode, mas pode mudar as coisas daqui pra frente.

– Como?

– Apenas siga seu coração, meu filho. – Segurou mais forte minha mão – Se você acha que Alice poder ser uma boa pessoa pra você, então não desista.

– Eu a convidei para ir ao show de sábado.

– Sério? Ótimo, assim eu a conheço.

– Tenho certeza que a senhora vai amar conhecê-la. – Brinquei com seus cabelos – Ela tem um pouco do seu jeito.

Ela sorriu me abraçando, com sua doçura inconfundível e seu amor sem medidas, ela era compreensível e paciente. Minha mãe sempre sabia o que dizer, na hora certeza, com tanta convicção e segurança daquilo que era o certo a ser feito. Com toda certeza ela amaria Alice, assim como eu sabia que era impossível Alice não se apaixonar de primeira pela minha rainha. Ela continuou ali comigo por longos minutos, eram momentos preciosos, momentos que eu fazia de tudo para se tornarem constantes, mesmo com toda a correria da minha vida. Logo descemos para jantar com o pessoal, todos estavam bem animados e acabei afastando um pouco toda a confusão que se instalou em minha cabeça. Aproveitei bastante com meus tios e primos, fizemos uma moda boa, um churrasco de primeira e uma bebida para acompanhar. Estava amanhecendo quando nos recolhemos, tomei um banho quente, coloquei uma roupa confortável e me deitei. A todo o momento em que eu me aquietava, Alice voltava a morar nos meus pensamentos e quase que de imediato, aquele desejo de estar com ela voltava com tudo. Eu poderia estar confuso em relação aos meus sentimentos, mas de uma coisa eu tinha certeza, Alice não sairia assim tão fácil da minha vida.

Era quase seis da noite quando seguimos todos para o local do show, eu me sentia extremamente confortável ao subir no palco daquele lugar que tanto me incentivou a ser o cara que hoje eu sou. Eu me sentia feliz e realizado, sentia meu coração se encher de uma alegria sem tamanho. Atendi uma galera que estava fora do local, seguimos para o camarim e lá comecei a atender a imprensa, alguns contratantes e finalmente receber ainda mais carinho dos meus fãs. Recebi alguns presentes, abraços, beijos e muitas declarações de amor. A cada dia eu me sentia mais grato a Deus por todo esse amor e admiração que eles sentem por mim. Depois de atender todo mundo, me avisaram que eu ainda teria alguns minutos antes de subir ao palco. Peguei meu celular e antes que eu pensasse em mandar uma mensagem para Alice, vi o testa entrar no camarim com alguém muito especial.

– Você ainda pode me atender? – Ela entrou sorridente.

– Daniela? – Sorri a abraçando – Que saudade de você!

– Saudade também, meu menino! – Beijou meu rosto.

Daniela era uma amiga muito especial, fomos namorados quando eu ainda morava aqui em Campo Grande, foi muito complicado o término do nosso namoro, mas nunca deixamos isso abalar nossa amizade. Confesso que Dani foi um dos meus grandes amores, terminamos quando eu estava no inicio da minha carreira e ela tinha todo o direito de não querer mergulhar nessa aventura comigo. Eu ainda sentia um carinho muito grande por ela, lembro que por duas vezes depois que voltei aqui em Campo Grande, nós nos encontramos e acabamos tendo uma recaída. Porém eu sentia que nada era mais como antes, que todo o amor que eu sentia por ela ficou lá atrás, que todo o sentimento se transformou em amizade e continuou.

– Por que não me avisou que viria? – Perguntei desfazendo o abraço.

– Só quis fazer uma surpresa. – Falou tímida – Como você está? – Arrumou meu cabelo.

– Estou feliz em te ver. – Sorri – Fazia um tempinho que a gente não se encontrava.

– Eu senti sua falta.

– Fica com o pessoal lá no camarote. – Pedi tomando um pouco de água – Meus pais estão lá.

– A Bruna está aí também? – Perguntou animada.

– Está sim.

– Vai querer tirar uma foto, Dani? – Rober perguntou a olhando.

– Vou sim. – Respondeu entregando o celular.

– Tira uma foto bem linda, testa. – Pedi a abraçando.

– Ficaram ótimas. – Rober devolveu seu celular.

– Obrigada, Rober! 

– Imagina... – A olhou – Luan, temos que ir.

– Te vejo no camarote? – Perguntei tomando o restante da minha água.

– Claro que sim. – Me abraçou carinhosa.

– Nós teremos uma comemoraçãozinha depois do show. – A olhei – Se você quiser ir.

– Aceito o convite. – Sorriu – Até depois do show. – Beijou meu rosto e saiu sorridente. 

O show estava prestes a começar, apenas tomei mais uma água e fiz uma oração com a minha equipe antes de entrar no palco. O local estava cheio, meu coração estava feliz em poder fazer aquilo que eu amo, principalmente por passar tanta alegria através das minhas músicas. Tudo estava maravilhosamente perfeito, meus fãs eram só amor e minha vontade era de continuar ali para sempre. Encerrei aquele show já sentindo uma vazio dentro do peito, uma saudade que me pedia pra voltar o quanto antes. Atendi alguns fãs na saída, me despedi de alguns amigos que encontrei ali e voltamos para o sitio do meu tio, onde lá eles preparam uma comemoração só para a família e alguns amigos próximos. Bebidas, comidas, umas modas, muito amor no lugar onde se encontrava algumas das pessoas mais importantes da minha vida. Eu sentia saudade de estar com eles, de poder sentar e conversar como uma pessoa normal, porque era assim que eles me viam.

– Dani tá bonita pra caramba, hem? – Max comentou sentando ao meu lado.

– Realmente, ela tá linda. – Tomei um pouco da minha bebida.

– E aí? – Ele perguntou me olhando.

– O que?

– Não vai rolar um flashback?

– Eu não estou pensando nisso. – A olhei de longe – Ela tá linda, mas minha cabeça não está aqui.

– Ah, sim! – Começou a rir – Quando vai ver Alice?

– Sábado.

– E vai poder matar essa saudade que tá te matando.

– Tá tão nítido assim?

– Tá só escrito na sua testa. – Deu de ombros me fazendo rir.

– Estou mesmo com saudade da minha branquinha.

– Toda apaixonadinha. – Me zoou – Quero conhecer o amor da sua vida.

– Sábado você conhece.

Logo outros parentes no chamaram para cantar umas modas, com a ajuda de alguns microfones e vilão, animamos ainda mais aquele lugar. Alguns já estavam dançando, outros tentavam cantar, enquanto muitos já estavam bem animadinhos. Marquinhos começou a cantar uma música animada e então peguei Dani pelo braço para que ela dançasse comigo. Ela como sempre começou a rir sem parar, me roubando também algumas risadas, enquanto Bruna gravava tudo e jogava no snapchat.

– Segura esse casal de respeito. – Meu tio gritou fazendo o sorriso de Dani aumentar.

Ela segurou meu rosto com as duas mãos e colou nossas testas, me causando uma coisa boa ao sentir sua respiração se misturar com a minha. Continuamos dançando enquanto Bruna não parava de gravar, depois com certeza eu sentiria vontade de arrancar aquele celular da mão dela. Agradeci quando a música acabou e eu me afastei dela com todo cuidado, ou pelo contrário eu faria uma besteira ali na frente de todo mundo. Sorri a olhando e inventei que eu precisava urgente ir ao banheiro, com certeza deixei Dani sem entender e com uma cara de decepcionada. Entrei realmente no banheiro, encostei-me à porta, senti minha respiração pesada e tentei relaxar. O que adiantaria eu me permitir ter mais uma recaída com Dani, sendo que meu pensamento está em Alice? O que adiantaria brincar com os sentimentos dela? Eu não poderia fazer isso, por mais que quisesse muito, mas eu estaria brincando comigo mesmo. Depois de alguns segundo sai do banheiro, mas para a minha surpresa encontrei Dani encostada na parede me olhando.

– Dani? – A olhei – Tá tudo bem?

– Estaria melhor se você não estivesse fugindo de mim. – Se aproximou – O que tá acontecendo, Luan?

– Fugindo de você? – Sorri nervoso – Não está acontecendo nada.

– Então por que você não admite logo que também quer a mesma coisa que eu? – Colou nossos corpos.

– E o que você quer?

– Você sabe o que eu quero. – E sem me dar chances de responder qualquer coisa, ela selou nossos lábios em beijo bom.

Eu não queria negar que aquilo estava bom, suas mãos eram ágeis e arranhavam minha nuca causando-me um arrepio. O seu beijo era quente, seu gosto era familiar e me fazia voltar no tempo em que estávamos juntos. Eu gostaria muito de continuar ali, se não fosse minha consciência me pedindo para dar um basta naquilo.

– Dani... – Interrompi o beijo tentando recuperar minha respiração – Desculpa, mas eu não posso continuar com isso.

– E por que não? – Perguntou confusa.

– Porque eu estou com uma pessoa. – Se afastou me olhando. – Desculpa.

– Eu que tenho que te pedir desculpas, eu não sabia que você estava namorando. – Falou sem me olhar – Nossa, eu sou uma idiota.

– Não fala isso. – Segurei seu braço – Você sabe a importância que tem na minha vida. – Levantei seu rosto para que me olhasse – Eu gosto muito de você, Dani.

– Eu preciso ir embora. – Falou me olhando – A gente se vê qualquer dia desses. – Sorriu fraco.

– Não precisa você ir. – Segurei sua mão – Fica mais um pouco.

– Não, eu realmente preciso ir. – Me abraçou com todo o carinho – Se cuida. – E saiu com pressa.

– Se cuida você também. – Falei um pouco alto, mas com certeza ela não ouviu.

Sentei ali mesmo no chão, coloquei minhas mãos na cabeça e pensei em tudo o que estava acontecendo. “Olha o que você está fazendo comigo, Alice.” Pensei comigo mesmo tentando compreender a loucura que a minha vida estava se tornando. Senti-me na necessidade de ouvir sua voz para acalmar meu coração, mas já estava muito tarde para ligar assim. Então minha alternativa foi tentar me acostumar com a dor que a ausência dela me causava. Eu não fazia ideia até onde isso poderia ir, mas se eu estivesse com ela tudo se tornaria mais fácil. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

(Capítulo 21 – Gratidão)

Aquele dia amanheceu lindo, os pássaros cantavam, o céu estava iluminado e parecia que todos os anjos sorriam pra mim. Acordei cedo, tomei café com minha família, arrumei minhas ultimas coisas e depois de me despedir dos meus pais com o coração doendo, Benjamim me deixou no aeroporto. Despedimos-nos com um abraço apertado, mas ele me prometeu que próximo mês me visitaria, já que estaria de férias da faculdade. Entrei naquele avião sentindo uma sensação boa, de realização e segurança, pois pela segunda vez eu estava passando por toda aquela loucura. Sorri ao lembrar que em menos de dois meses minha vida se transformou, as menores coisas não aconteceriam em tão pouco tempo. Eu me sentia realizada e imensamente feliz com tudo o que estava acontecendo, o tempo parecia não passar e todos os dias era uma surpresa diferente. Quando coloquei meus pés novamente na minha cidade dos sonhos, respirei fundo e senti meus olhos marejados, pedi a Deus que me ajudasse a continuar minha caminhada com coragem e sabedoria. Avisei a Laura que eu chegaria apenas as 18h00min e ela disse que hoje passaria o dia arrumando o apartamento. Queria fazer uma surpresa e assim eu prossegui, mandei uma mensagem para minha mãe e apanhei um táxi seguindo para o meu condomínio. Cheguei quase uma hora depois, cumprimentei seu Pedro e subi rapidamente, ao abrir a porta, dei de cara com Laura limpando e arrumando alguns quadros na parede.

– Alice? Como assim você já chegou? – Me olhou assustada – Você não deveria chegar só às 18h?

– Eu decidi chegar antes. – Entrei colocando minha mala em um canto da sala – Quer que eu volte?

– Você tá louca? – Me abraçou quase me derrubando – Que saudade de você, caramba!

– Também senti sua falta, Laurinha! – A abracei ainda mais forte – Quis fazer uma surpresa e chegar um pouquinho mais cedo.

– Você deveria ter me avisado, eu tinha ido te buscar. – Desfez o abraço me olhando.

– Aí não seria surpresa, né? – Falei como se fosse óbvio.

– Sério que você está aqui de novo? Pensei que não voltaria mais.

– Como eu não voltaria? – Sorri sentando com ela no sofá – Eu estava morrendo de saudade.

– E como tá minha tia?

– Ela está maravilhosamente bem, mas passamos por um sufoco semana passada. – Estiquei meus pés – Ela estava magrinha, sabe? Não conseguia se alimentar direito, estava abatida e triste.

– Eu acho que ela estava era com saudade de você.

– Eu também acho, mas graças a Deus conseguimos matar a saudade. – Sorri – E agora ela se recuperou e eu consegui voltar.

– Não teve vontade de ficar lá? – Perguntou me olhando.

– Sabe que não? Talvez eu ficasse pela minha família, mas não por mim. – Falei pensativa – Me sinto incompleta sem tudo o que conquistei aqui durante esses quase dois meses.

– Eu falei que pouquíssimos dias você estaria apaixonada por São Paulo. – Sorriu – É bom saber que você se sente bem aqui.

– Como eu poderia não me sentir? – Beijei seu rosto – Mas agora eu vou deixar minha mala no quarto, vou tomar um banho e volto pra gente conversar. – Levantei pegando minha mala – Estou com fome.

– Maria antes de ir deixou um almoço maravilhoso prontinho.

– Que maravilha. – Sorri seguindo para meu quarto.

Era maravilhoso sentir o cheirinho bom do meu quarto, coloquei minha mala sobre a cama e escolhi no meu guarda-roupa um vestido limpinho e fresco. Tomei um banho bem demorado, penteei meu cabelo e coloquei meu chinelo, voltando logo em seguida para a cozinha. Enquanto nós duas almoçávamos, ficamos conversando sobre a viagem de Laura, que segundo ela, foi inesquecível. Contou que oficialmente ela e Douglas estão namorando, que eles passaram três dias com a família dele, que no ultimo dia ele mandou fazer um churrasco para todos e lá mesmo pediu Laura em namoro na frente de todo mundo. Contou também que se deu maravilhosamente bem com a família dele, que todos amaram sua presença e principalmente apoiaram muito o namoro dos dois. Tinha como não se apaixonar por Laura? Ela contou ainda que eles passaram o restante da semana sozinhos em um sítio no Pantanal e que aproveitaram muito aquele momento unicamente deles.

– Eu estou muito feliz por vocês, Lau! – Segurei sua mão.

– Eu sei que as coisas podem estar indo rápido demais, mas eu não tenho dúvidas de que Douglas é o homem da minha vida. – Sorriu emocionada.

– O tempo não importa. – A olhei – Importante mesmo é o que vocês sentem um pelo outro.

– Tudo aconteceu tão de imediato.

– É verdade, mas que bom que aconteceram para o bem. 

– Sim, estou me sentindo muito bem com tudo isso.

– Você sabe que eu só desejo a sua felicidade, né? – Ela concordou com a cabeça – Sabe que eu te amo muito também? – Concordou novamente – Então você sabe que eu apoio tudo aquilo que for para o seu bem.

– Eu sei disso. – Falou emocionada

– Eu quero muito que vocês sejam felizes, que consigam crescer juntos e que o amor de vocês permaneça para sempre.

– Obrigada, Lili! – Me abraçou carinhosamente – Eu te amo, muito!

– E como vai ser daqui pra frente? – Levantei colocando nossos pratos na pia – Vocês estão distantes, né?

– Sim, eu me preocupei bastante com isso durante esses dias, mas ele me tranquilizou e disse que com o tempo daríamos um jeito.

– Isso é ótimo. – Sorri – Não quero meu casal sofrendo por causa da distância.

– E o meu casal? Por que ainda estão distantes?

– Porque é assim que as coisas devem acontecer. – Respondi enquanto terminava de lavar a louça.

– Ele te ligou pra saber sobre sua foto com Felipe?

– Sim, ele sentiu ciúmes. – Segurei o riso – Disse que se importava muito.

– Eu falei pra você, né?

– Mas eu não imaginava que ele reagiria dessa maneira.

– O problema é que você acha que Luan não gosta de você o suficiente ao ponto de sentir ciúmes ao te ver com outro. – A olhei assustada.

– Ele disse a mesma coisa. – Sentei – Disse que eu tinha uma mania ridícula de achar que ele não se importa com nada em relação a nós dois.

– Por que você é assim, Alice? Por que não se permite investir nesse relacionamento?

– Que relacionamento, Laura? A vida do Luan é extremamente complicada.

– E isso impede que ele tenha um relacionamento sério com alguém? – Perguntou me olhando – Sabe o que eu acho? – Neguei com a cabeça – Eu acho que é o seu medo que te impede de ser feliz com ele. – Falou sincera – O medo que você tem de se magoar.

– E isso pode acontecer a qualquer momento.

– Você nunca vai permitir que outra pessoa te ame como Vicente amou, não é mesmo? – Me olhou séria – Nunca vai deixar que outra pessoa entre na sua vida.

– Eu acho que as coisas funcionam melhor assim, caso algo aconteça e eu chegue a fazer meu coração sofrer.

– Eu torço muito para que Luan ou qualquer outra pessoa te faça mudar de ideia um dia.

– Vamos mudar de assunto? – Pedi suplicante.

– Tudo bem. – Agradeci por ela ser tão compreensiva – Como foi essa semana lá com seus pais? – Perguntou sorridente. 

Conversamos até que eu sentisse meus olhos pesados e meu corpo reclamar de cansaço. Era quase noite quando decidi ir descansar um pouco, aproveitei para ligar para Bruno e avisar que amanhã mesmo eu já voltaria para a agência. Conversei um pouco com Marina e ela me contou como as coisas estavam por lá, disse que ela e Sthé estavam dando conta, mas que precisavam de mim. Abracei um travesseiro, tentei relaxar e quando eu estava quase dormindo, senti meu celular vibrar ao meu lado.

– Alô! – Atendi sem nem ver quem era.

– Estava dormindo? – Sorri ao ouvir a voz de Luan do outro lado da linha.

– Quase. – Respondi baixo.

– Chegou bem?

– Cheguei sim.

– Você está bem?

– Sim. – Respondi fechando meus olhos – E você?

– Com saudade. – Falou manhoso.

– Eu também estou com saudade. – Continuei falando baixo.

– Eu acho que você está dormindo e não tá se dando conta do que tá falando. – Sorri – É melhor eu te deixar dormir.

– Eu sei bem o que eu estou falando. – Respirei fundo – Só estou com um pouco de sono, mas continuo consciente.

– Tem certeza?

– Absoluta.

– E quando podemos nos ver?

– Agora se você quiser. – Ouvi sua risada – Pode vir aqui dormir comigo.

– Como é que você me faz uma proposta dessas? – Reclamou – Eu não estou em São Paulo.

– Que pena. – Choraminguei – Queria esquentar meus pés.

– Você só me usa pra esquentar seus pés? – Perguntou indignado.

– Não, mas esquentar outras coisas também.

– Alice, Alice... – Gargalhei – Você não brinca comigo.

– Eu não estou brincando, meu amor. – Continuei rindo – Estou aqui abraçadinha com o travesseiro, imaginando que é você.

– Amanhã e depois estou fora de São Paulo, mas podemos nos ver no sábado? Tenho um show aí no Citibank hall.

– Show? Ótimo!

– Então estamos combinados?

– Combinadíssimos.

– Você vai sobreviver? – Perguntou me fazendo rir.

– Eu não garanto nada.

– Qualquer coisa você me avisa e eu saiu correndo pra te ver.

– Por que você fica falando isso? Se eu te ligar você não pode reclamar. – Reclamei – Você sabe que eu estou morrendo de saudade.

– Não faz assim...

– Acho melhor eu ir dormir, porque você fica me iludindo.

– Prometo que sábado a gente mata essa saudade.  

Algumas vezes eu imaginava se tinha algum cabimento as coisas que Laura me dizia em relação ao meu “relacionamento” com Luan. Se ela tinha razão em dizer que eu me escondo atrás do meu medo, quando me diz que eu jamais serei feliz novamente sem permitir que alguém entre na minha vida. Com a partida repentina de Vicente, meu coração se tornou frágil e impotente, como se a qualquer momento eu pudesse magoá-lo novamente. Eu espero que Laura esteja certeza quando me diz que um dia eu encontrarei alguém que me faça tão feliz quanto Vicente me fez.

Continuamos conversando por mais uns quinze minutos, ele cantou uma música e quando dei por mim eu estava no segundo sono. Acordei quase dez horas da noite, comi alguma coisa com Laura, avisei sobre o show no sábado e ela comemorou que nesse final de semana Douglas estaria aqui. Organizei minhas coisas para o dia seguinte, tomei um banho quente e voltei para a minha cama. Aquela noite foi uma das melhores pra mim, consegui descansar além dos meus olhos, mas meu corpo todo e minha alma também. Eu sentia algo bom dentro de mim, sentia uma paz em estar no lugar que eu escolhi e me sentir realizada por isso. Sentia-me na necessidade de agradecer a Deus por todas as coisas lindas que eu venho conquistando, por todos os presentes maravilhosos, por todo o amor que ele demonstra sentir por mim.