segunda-feira, 2 de outubro de 2017

(Capítulo 56 – Show de Uberlândia)

No dia seguinte acordamos cedo, Luan teria entrevista em uma rádio local e não poderia se atrasar. Tomamos café e almoçamos ao mesmo tempo, meu menino acordou bem melhor, parecia animado para o show que aconteceria logo mais. O acompanhei na rádio, ao lado de sua equipe, mas fiquei escondidinha para que ninguém me reconhecesse. Luan cantou algumas músicas, bateu um papo com o pessoal, respondeu algumas perguntas e ainda falou ao vivo com uma fã. De vez em quando nós trocávamos alguns olhares apaixonados, ele se sentia completo em fazer o que realmente ama. Depois daquela tarde animada na rádio, seguimos de volta para o hotel, Luan atendeu rapidamente algumas meninas e subimos para o nosso quarto.

– Está boa essa roupa, benzinho? – Mostrei a ele meu vestido.

– Sim, bem abaixo do joelho. – Sorriu satisfeito.

– Você é um chato, sabia? – O olhei incrédula.

– E você me ama mesmo assim. – Me segurou pela cintura – Mesmo eu sendo o mais chato do mundo.

– Quem disse?

– O que? – Perguntou levantando lindamente uma sobrancelha.

– Quem disse que eu amo você?

– Seus olhos. – Me olhou intensamente – Eles me dizem o quanto você me ama. – Desviei meu olhar.

– Eles mentem pra você então. – Falei segurando o riso.

– É mesmo? – Colou ainda mais nossos corpos – Tem certeza? – Começou a beijar meu pescoço.

– Eu te amo... – Confessei sentindo um arrepio por todo meu corpo.

– Eu falei que você me amava. – Me largou soltando uma risada gostosa.

– Você é um cretino, Luan! – Taquei o travesseiro em seu rosto.

– Você não consegue resistir ao gostosão aqui. – Se gabou seguindo até o banheiro – Me ama mesmo.

– Idiota! – Gritei fazendo com que ele gargalhasse.

Já era quase 20h00 quando estávamos prontos, depois de um maravilhoso jantar, seguimos para o local do show. O pessoal brincava animadamente durante o percurso, conversavam, riam alto, coisa que me fazia extremamente bem. Eles já não me olhavam mais com aquele olhar de desconfiança, como se eu fosse só mais uma, mas me olhavam como se eu realmente fizesse parte da família. Aproveitei para responder umas mensagens de Laura, de Benjamim e de Marina que estava louca com um e-mail que mandou errado. Quando chegamos ao local, nos deparamos com uma multidão de fãs, todos esperavam ansiosamente Luan descer da van e atendê-los. Como sempre ele desceria primeiro, logo em seguida eu desceria com Rober e assim nós fizemos. Luan desce simpático, uma grade o separava de seus fãs, mas mesmo assim ele se esforçava para atendê-los da melhor maneira possível. Assim que percebemos que eles gritavam por Luan, Rober desceu da van, me estendeu sua mão e me ajudou cuidadosamente a descer. Imaginei que eles nem se importariam de me ver ali, talvez estivessem hipnotizados por Luan e assim eu seguiria tranquila com Rober, mas eu estava redondamente enganada. Assim que eu passei por algumas fãs que ainda esperavam Luan chegar até elas, fui surpreendida com alguns xingamentos: “Vagabunda” “Interesseira” “Cadela” e tantos outros que me fizeram paralisar. O olhar de Luan foi parar nas meninas que me xingavam, eu parecia perdida, olhei Rober sem saber o que fazer e gentilmente ele segurou meu braço, fazendo com que eu me apoiasse. Wellington então saiu de perto de Luan, me segurou pela cintura e com a ajuda de Rober, me levou para o camarim. Entrei de cabeça baixa, me sentindo a pior pessoa do mundo, mesmo sabendo do meu caráter e sentimentos por Luan. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, percebi Rober se aproximar com uma água na mão e um olhar de solidariedade.

– Tudo bem? – Ele perguntou calmo, mas só concordei com a cabeça.

Eu estava tremendo, senti uma lágrima escorrer sobre meu rosto, fiquei de costas para a entrada. Eu não queria que ninguém me chamasse de fraca por não conseguir lidar com esse tipo de situação, mas era certo de que eu realmente não conseguiria lidar com situações assim. Ouvi a voz de Luan quando ele entrou no camarim, continuei de costas, sentindo sozinha essa sensação horrível de fragilidade.

– Amor? – Se aproximou me abraçando por trás – Me desculpa por isso? – Me virou fazendo que eu ficasse frente a frente pra ele – Não faz assim. – Enxugou meu rosto, então apenas o abracei pela cintura, colando minha cabeça em seu coração.

– Você não tem culpa de nada... – Tentei falar.

– Olha aqui pra mim. – Levantou meu rosto – Não importa o que elas pensem ou deixam de pensar, o que importa de verdade é o que nós sentimos um pelo outro. – Fez carinho em meus cabelos – Eu conheço você, sei que não é nada disso do que elas disseram. – Beijou meu rosto – Pelo contrário, você é a mulher mais incrível que eu já conheci em toda a minha vida.

– Sou? – Perguntei fungando.

– A mulher mais linda, encantadora, humilde, cheirosa. – Cheirou meu pescoço – Gostosa. – Falou em meu ouvido – E a que eu mais amo.

– Obrigada, amor! – O abracei novamente.

– Eu te amo, Alice! – Confessou me olhando sério.

– Eu te amo muito mais, sabia? – Então ele selou nossos lábios em um beijo muito bom.

Tentei mostrar para Luan que eu estava bem, mas por dentro eu estava com vontade de sumir, sair desse lugar e esquecer o que aquelas meninas me disseram. Enquanto ele se preparava para subir ao palco, tentei manter toda a minha atenção em algumas piadas bobas que Rober contava. Quando Luan começou a atender seus fãs, preferi ficar em um lugar mais reservado do camarim, evitando qualquer tipo de constrangimento ou desconforto. Ele atendeu a imprensa, alguns contratante, coisa que eu achava extremamente cansativo para ele. Logo ele estava pronto para fazer aquilo que tanto ama fazer, cantar para seus fãs e levar amor para aqueles que tanto precisam. Fiquei escondida no palco, queria vê-lo sendo feliz, queria ter uma boa lembrança de todos esses momentos maravilhosos que passei ao seu lado nesses dias de estrada. Ele cantava, o seu publico gritava enlouquecido, as meninas queriam chamar sua atenção a todo custo. Era linda essa troca entre o ídolo e os fãs, esse amor recíproco, esse desejo de sempre ser mais. Depois de algum tempo cantando, Luan simplesmente pediu que parassem a música que a banda estava pronta para tocar e sentou em um banquinho que fazia parte do cenário do show. Ele estava de frente para o publico, parecia querer ter uma conversa séria com cada um deles, abaixou a cabeça, respirou fundo e olhou para cada um.

– Quem aqui já amou alguém ou está amando? – Ele perguntou fazendo todos levantarem a mão – É a coisa mais mágica que existe na vida de uma pessoa, é ou não é? – Todos gritaram concordando com ele – É algo que preenche completamente o vazio que existe em seu coração, algo que te leva para o céu sem tirar os pés do chão, algo que te faz acreditar que pra tudo ainda tem um jeito. – Fez com que todos gritassem ainda mais – Essa música que eu vou cantar agora... – Falou pegando o violão – Vai para a mulher que eu amo. – Virou-se rapidamente para onde eu estava, soltou um leve sorrisinho, voltou a olhar para seus fãs e começou a cantar com todo amor que existia em seu coração. 

Procurei algum lugar pra descansar
Me cansei de amar sem ter a quem amar
Caminhei lugares sem te encontrar
Sei que errei, perdi chorei

Mas você chegou e trouxe a paz
Pro coração eu sei
Transformou meu mundo
E me mostrou o amor que eu deixei
Sorte a minha, que a vida muda
Muita coisa o tempo cura
E me fez viver

Vem amor, e traz a cor pro que era preto e branco
Eu vou te desenhando
Vem amor e traz calor pro frio que vem chegando
Eu tô te esperando

– Uma música dos meus parceiros, Bruninho e Davi. – Todos aplaudiram – Essa define bem tudo o que eu venho sentindo.  

O Publico estava eufórico, tentei segurar minhas lágrimas, mas foi impossível em meio a toda aquela loucura de Luan. Ele deu espaço para os backings vocals, se aproximou de onde eu estava e pegou uma água, me olhando de com um sorriso no rosto.

– Você é maluco? – Perguntei quando ele me segurou pela cintura.

– Completamente maluco por você, minha gatinha. – Beijou meu pescoço.

– Eu sou muito apaixonada por você, seu louco! – O abracei ainda mais forte.

– Eu te amo demais... – Me olhou sério – E essa foi só a primeira prova desse meu sentimento.

– Você não precisa me provar nada, porque eu acredito em você. – Selei nossos lábios em um beijo maravilhosamente bom.

Depois de beber mais um pouco de água, trocar sua camisa e me roubar mais dois beijos, Luan voltou para o palco. Ele encerrou aquela noite fazendo o que mais ama na vida, cantar e fazer a felicidade daqueles que o amam profundamente. Voltei para o camarim com meu coração pulando de alegria, eu estava me sentindo nas nuvens, estava me sentindo amada, como nunca me senti antes. Luan atendeu mais algumas pessoas, mas logo seguimos para o aeroporto, era hora de voltar pra casa. Durante todo o percurso, os meninos brincavam com tudo, até zoaram Luan por sua declaração de amor pra mim. Quando chegamos ao aeroporto, encontramos mais algumas fãs esperando por Luan, teríamos que descer e passar por todas elas. A sorte é que não eram muitas, com certeza algumas ainda tentavam sair do local do show e chegar a tempo de vê-lo. Olhei Luan com um pouco de medo, mas ele me passou toda confiança através de seu olhar, o que sempre me enchia de coragem. Eram cerca de 10 meninas, elas estavam comportadas, todas juntinhas, ansiosas para encontrar o ídolo. Wellington abriu a porta da van, cumprimentou gentilmente as meninas e disse que o atendimento seria rápido, pois Luan estava cansado e precisava ir embora. Elas concordaram nervosas, uma delas chorava, mas logo tentava enxugar as lágrimas com um pouco de dificuldade. Ele pediu que elas ficassem em um cantinho próximo a van, elas obedeceram e continuaram juntas, sabiam que aquela era uma chance grande de vê-lo com calma. Rober então desceu, cumprimentou as meninas com um “boa noite” e estendeu a mão para que eu descesse. Verifiquei que o portão do aeroporto estava aberto, eu não queria ter que enfrentar aquela situação mais uma vez. Respirei fundo, desci com todo cuidei e nem sequer olhei para elas, mas todas foram mais simpáticas que meu nervosismo.

– Oi, Alice! – Elas falaram juntas.

– Linda! – Outra quase gritou.

– Oi, meninas! – Olhei cada uma com um sorriso tímido.

– Venha, Alice... – Rober me chamou para entrar.

Assim que eu entrei, olhei de longe Luan atendê-las com todo carinho, retribuindo todo o amor que elas o ofereciam todos os dias. Foi algo rápido, mas todas conseguiram um abraço e uma foto coletiva, coisa que deixou cada uma com um sorriso lindo e lágrimas de felicidade escorrendo pelo rosto. Entrei no jatinho com a ajuda de Rober, sentei na poltrona que era de frente para a de Luan e o esperei feliz. Seguimos então de volta pra casa, fazendo a saudade dele já se instalar em meu peito, porque por mim eu ficaria ao seu lado pra sempre. Acabei cochilando durante o voo de volta para São Paulo, lembrei que hoje eu ainda trabalharia no horário da tarde, fazendo meus olhos pesarem ainda mais de sono. Era quase 05h00 da manhã quando chegamos ao aeroporto, um carro já nos esperava, assim como uma infinidade de fãs. Luan preferiu não atender ninguém, entrou comido dentro do carro e seguimos para o meu condomínio. Deitei com minha cabeça em seu peito, enquanto carinhosamente ele brincava com meus cabelos.

– Você ainda trabalha hoje? – Perguntou.

– Uhum... – Respondi com um pouco de dificuldade.

– Quando acaba esse seu contrato na agência? – Perguntou fazendo com que eu o olhasse sem entender.

– Próximo ano.

– Vou te contratar, assim você não precisa ficar longe de mim e nem passar sono. – Falou me olhando.

– Eu cobro caro, tá? – Brinquei.

– Tudo bem, eu pago. – Deu de ombros.

– Você é um bobo. – Beijei seu rosto.

– E você é a coisa mais linda que eu já conheci em toda a minha vida. – Selou nossos lábios.

Não demorou muito para que eu chegasse ao meu destino, Luan prometeu me ligar, disse que organizaria tudo para a nossa viagem no final de semana. Agradeci ao motorista, me despedi do meu menino e subi para o meu apartamento, encontrando Laura em seu décimo sono. Coloquei minha mala no canto, tomei um banho demorado, vesti uma roupa quentinha e coloquei meu celular para despertar. Apesar do que aconteceu nesse dia, eu estava imensamente feliz, me sentia completa ao lembrar os momentos maravilhosos que passei ao lado de Luan. Já sonhava com nossa viagem, com tudo o que poderia acontecer, com todo o amor que daríamos um ao outro, porque era isso que gostaríamos de ter para sempre, amor. 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

(Capítulo 55 – Show do Rio)

Era quase 18h quando já estávamos prontos, Wellington levou nossas malas, pois assim que acabasse o show, seguiríamos direto para Uberlândia. Encontramos seu Amarildo, Arleyde e Rober que aguardavam o elevador. Cumprimentei o pai de Luan, que como sempre, foi muito simpático comigo e com todos que estavam ao seu redor. Descemos direto para o estacionamento, entramos na van que nos esperava e seguimos para o local do show. Durante todo o percurso, o pessoal conversava, brincava, cantava, mas percebi que naquela noite Luan não estava tão animado como os outros dias. O olhei tentando tirar algo dele, mas notei que ele estava longe, então preferi deixá-lo quieto com seus pensamentos. Quando chegamos ao local do show, alguns fãs nos encontravam eufóricos, respirei fundo tentando controlar meu nervosismo. Luan me olhou carinhoso, tentando me passar toda a tranquilidade, mesmo sabendo que eu sempre ficava nervosa nesses momentos. Então ele desceu, logo após seu Amarildo e Arleyde também desceram da van e seguimos todos para o camarim. Graças a Deus ninguém prestou atenção em mim, os fãs realmente parecia estarem focados unicamente em Luan e eu agradeci muito por isso. Entramos no camarim rindo, pois Rober achava muito engraçado minha cara de assustada com tanta euforia dos fãs.

– Alice, você tem que se acostumar. – Seu Amarildo começou a rir.

– E eu consigo? – Abri uma garrafinha de água que Rober me ofereceu. – Luan realmente está fazendo o que ama, porque eu já teria ficado louca. – Falei fazendo os três rirem.

– Uau! Hoje eles estão animados, vocês viram? – Luan entrou sentando logo ao meu lado – Oi, gatinha! – Reparei que tinha uma marca de batom no canto de sua boca.

– Estava aos beijos com quem? – Perguntei tirando o batom – Estava bom?

– Foi por pouco, amor... – Riu tentando se desculpar.

Enquanto Luan se arrumava, atendia a imprensa, os fãs, eu fiquei no meu cantinho conversando com Laura por mensagens. Aquele momento era exclusivamente de dele, eu não queria atrapalhar, não queria ter que me intrometer em absolutamente nada. Quando percebi que o atendimento estava no final, voltei de mansinho para o camarim e mais uma vez me deparei com um Luan que eu não conhecia. Ele tinha os olhos pesados, parecia cansado, sem muito ânimo, coisa que me preocupou bastante. Antes que ele subisse, o abracei com todo o meu coração, passando minha energia boa e pensamentos positivos para aquela noite. Desejei a ele um maravilhoso show, ele me presenteou com um sorriso e aquele beijo que eu tanto amava. Foi quando ele subiu naquele palco, que finalmente eu consegui compreender que era ali a sua segunda casa. Era aquele lugar que o fazia se sentir preenchido, completo, transbordando amor por todas aquelas pessoas.
“Será que um dia poderemos explicar essa ligação que existe entre Luan e seus fãs?”
Coisa que não conseguir fugir dos meus pensamentos, uma única explicação para esse amor tão grande, puro e verdadeiro. Durante o show, quando ele cantou “Dia, Lugar e Hora” eles fizeram uma homenagem para Luan, soltando balões de coração por todo aquele lugar. Ele se emocionou, chorou, olhou nos olhos de cada um e agradeceu com um “eu amo vocês.” Emocionou todos que estavam presente, foi algo feito com amor, e quando isso acontece, é impossível dar errado. Ele sentou no palco, conversou com o publico, desabafou, disse que tudo o que faz é por eles e para eles. Era um amor recíproco, era emoção, alegria demais com aquele encontro de almas. Eu senti algo profundamente bom dentro de mim, senti principalmente a sensação maravilhosa de poder viver aquele momento ao lado dele. “Que privilegio” pensei. Quando o show estava no finalzinho, voltei para o camarim, tomei uma água e o esperei chegar para que pudéssemos ir embora.

– Que coisa linda, hem? – O entreguei uma garrafinha de água.

– Você viu? – Perguntou me olhando como uma criança – Não sei o que seria de mim sem eles... – Tentou falar, mas com aquele mesmo tom de tristeza na voz.

– Amor, tá tudo bem com você? – Me aproximei enxugando seu rosto.

– Está sim, princesa. – Beijou o canto da minha boca – Só estou um pouco cansado. 

– Nós já vamos? – Perguntei me aproximando. 

– Vou só trocar de roupa. – Selou nossos lábios.

Depois que Luan trocou de roupa, seguimos todos pra van, que mais uma vez nos esperava rodeada de fãs. Arleyde pediu que Luan seguisse na frente, logo depois seguimos eu, seu Amarildo, Rober e o restante do pessoal. Entrei rapidamente aos olhares de alguns fãs, meu menino acenou para eles, mandou beijo, recebeu alguns presentes e entrou na van. Ele sentou ao meu lado e foi todo o caminho até o aeroporto sem dar nenhuma palavra, enquanto brincava com meus dedos. Vez ou outra eu o olhava, ele me respondia com um meio sorriso, algumas vezes me beijava e assim seguimos. Quando chegamos ao aeroporto, encontramos alguns fãs na grade, tentando com muita insistência estender o braço e alcançar Luan. Ele me entregou seu celular, chamou Wellington e seguiu até onde elas estavam, levando muita alegria para cada uma. Ele se sentia completo ao estar com elas, sorria o tempo inteiro, era o amor mais recíproco que poderia existir. Depois do atendimento, ele se despediu com beijos e acenos, trouxe um ursinho de pelúcia que uma das meninas jogou por cima da grade e entramos todos no jatinho. Sentei de frente pra ele, queria poder passar um pouco de segurança a ele que tão facilmente se tornou meu ponto de paz.

– Elas perguntaram por você. – Falou assim que se sentou confortavelmente na poltrona.

– Perguntaram? – O olhei surpresa.

– Sim, te mandaram um beijo. – E então ele se aproximou me dando um beijo calmo.

– Tá cansado? – Perguntei com nossos rostos colados.

– Sim... – Confessou com um pouco de dificuldade.

– Então descansa um pouquinho. – Selei nossos lábios novamente.

Luan passou a viagem inteira inquieto, colocava os fones no ouvido, tirava os fones, mas não parava. Perdi as contas de quantas vezes ele virou para um lado e para o outro naquela poltrona, mas não encontrou uma boa posição. Com ele assim, era impossível eu parar, porque eu fiquei mais agoniada que ele que estava naquela situação. Não demorou muito para que chegássemos a Uberlândia, encontramos mais alguns fãs no aeroporto, Luan mesmo cansado fez questão de ir lá dar um “oi” pra eles. Quando entramos na van, ele colocou sua cabeça em minhas pernas, sempre com seu rosto virado para a minha barriga. Fiz um carinho bom seu cabelo, tentei fazer com que ele relaxasse um pouco, porque era claro que ele estava cansado. Depois de quase quarenta minutos chegamos ao hotel, descemos direto para o estacionamento, mesmo sabendo que alguns fãs esperavam lá fora.

– Tá com fome? – Luan perguntou quando estávamos seguindo para o elevador.

– Um pouco... – Respondi beijando seu rosto – E você?

– Estou, mas quero comer porcaria.

– Porcaria? – O olhei rindo.

– É amor... Aquelas besteiras, sabe?

– Batata frita, hambúrguer, sorvete? – Perguntei entrando no elevador.

– É isso mesmo.

Quando chegamos ao nosso andar, nos despedimos de todos, começamos a rir de quase uma queda de Rober e entramos em nosso quarto. Ele sentou logo na cama e pegou o telefone, discou um número e pediu várias bobagens para comer. Quando terminou de falar, desligou o telefone, tirou os sapatos e me olhou pensativo, como se quisesse ma falar algo.

– O que foi, meu amor? – Sentei ao seu lado – O que tá acontecendo com você?

– Não é nada, acho que muito cansaço. – Virou ficando de frente pra mim.

– Cansaço físico? Espiritual? Mental? – Perguntei arrumando seu cabelo.

– Acho que um pouco de cada um.

– Você sabe que pode desabafar comigo, se quiser me contar o que está sentindo. – Ele não disse nada, apenas me abraçou colocando sua cabeça em meu ombro.

– Você sabe que eu te amo, não sabe? – Ele sussurrou.

– Sim, claro que eu sei.

– Toma um banho comigo?

Eu não disse nada, apenas segurei sua mão e seguimos para o banheiro, como ele queria. Tirei sua roupa com cuidado, enquanto ele me olhava com uma carinha linda, fazendo com que eu me apaixonasse ainda mais por ele. Tirei minha roupa também, entrei com ele e tomamos um banho sem nenhum tipo de intenção, mas apenas sentindo todo o amor que um sentia pelo outro.

– Você tá tenso. – O abracei com toda força. – Precisa relaxar um pouquinho.

– Sua presença me faz um bem enorme. – Me olhou nos olhos – Eu não sei o que seria de mim sem você aqui. – Beijou minha testa, minha bochecha, meu queixo e por fim ele beijou minha boca, me fazendo sentir o doce sabor do seu beijo.

– Não esquece que eu te amo, muito? – Perguntei quando encerremos os beijos.

 – Eu nunca vou esquecer.

Depois de nosso demorado banho, colocamos um roupão, voltamos para o quarto e ouvimos alguém bater na porta. Olhamos um para o outro e começamos a rir, Luan não queria ir, mas também não me deixou ir porque eu estava de roupão.

– Você não vai atender, me deixa ir lá? – Pedi o olhando.  

– Tá, mas eu estarei de olho bem aqui.

Atendi o rapaz que era extremamente simpático, nem sequer prestou atenção se eu estava ou não de roupão. Pedi que ele deixasse nosso jantar ali mesmo na mesa, peguei com Luan uma gorjeta e feliz ele foi embora. Levei nossos pratos para a cama e ele me olhou levantando lindamente uma sobrancelha.

– O que foi? – Perguntei pegando uma batatinha.

– Ele era simpático demais, você não achou?

– E isso não é bom? – Coloquei uma batata em sua boca – Prova que o atendimento desse hotel é excelente, né?

Jantamos como duas crianças, comemos, nos lambuzamos, fizemos tudo o que tinha direito naquela noite. Luan era lindo, de todas as maneiras possíveis, fazendo com que meu coração não aguentasse de tanto amor. Algumas vezes ele parecia relaxar, começava a rir como um menino feliz por ganhar aquele presente. Outras vezes eu percebia um peso em sua voz, assim como em seu corpo inteiro, coisa que me preocupava bastante. Depois que terminamos de jantar, deixamos tudo de lado, deitamos na cama e comecei uma massagem em Luan.

– Já te disseram que você tem mãos de fada?

– Não, porque eu não ando fazendo massagem em qualquer pessoa. – brinquei.

– Ainda bem. – Fechou os olhos tentando relaxar – Mas essa massagem é muito boa.

– Quer conversar? – Perguntei enquanto acariciava sua nuca.

– Ás vezes acredito que as coisas não estão indo como eu quero, porque meus fãs merecem tudo de mim. 

– E você não acha que já faz demais?

– Eu sinceramente acho que meus fãs merecem mais, eu preciso fazer o melhor pra eles.

– Mas você já faz o melhor.

– Mas a questão é que sempre tem o melhor do melhor. – Me olhou confuso – Eu preciso ser melhor, você entende?

– Você quer saber o que eu acho? – Ele apenas concordou com a cabeça – Acho que você precisa parar de querer provar para as pessoas que você é capaz, porque isso você já fez. – Sentou ainda me olhando – Você só vai se desgastar, vai chegar um momento que você não vai aguentar toda essa pressão.

– Eu estou me sentindo esgotado, mas não é dos meus fãs, nem do meu trabalho, mas de mim.

– Você precisa dar um basta nisso e começar a aproveitar tudo o que você já conquistou. – Fiz carinho em seu rosto – Você já é o melhor.

– Será? 

– Você sabe que é, mas não consegue se contentar com isso.

– Estou no meu limite.

– Sabe o que você poderia fazer? – O puxei para que ele deitasse comigo – Você poderia viajar, tirar um tempo pra descansar, sem ninguém pra mandar você fazer isso ou aquilo.

– Vem comigo? – Perguntou animado.

– O que?

– Viaja comigo, só nós dois.

– Amor, mas eu estava...

– Que graça tem eu viajar sem você? – Me interrompeu – Só vou sofrer mais de saudade.

– Tem certeza? – Concordou beijando o canto da minha boca – E pra onde iríamos?

– Pra qualquer lugar que não nos perturbassem. – Me olhou – Seria maravilhoso poder passar um tempo sozinho com você.

– Seria ótimo mesmo. – Selei nossos lábios.

– Próximo final de semana eu estou livre, terei cinco dias em casa.

– Hum... – Pensei – Acho que consigo tirar um final de semana.

Naquela noite ele dormiu sentindo os meus carinhos, tentei passar o máximo de tempo com ele em meu colo, sentindo a maravilhosa sensação de ter meu mundo em meus braços. Essa viagem seria ótima para que ele descansasse, mesmo eu estando junto, mas faria que ele tirasse um tempo para refletir um pouco em sua vida. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

(Capítulo 54 – Insegurança)

Expliquei a Luan tudo o que aconteceu no meu final de semana, ele me ouvia atento, como se quisesse falar algo, mas deixava sempre que eu terminasse. Tudo era tão complicado, era ainda mais complicado ter que envolver Luan em toda essa bagunça que é minha vida. Conversamos por longos minutos, ele tentava me compreender, ao mesmo tempo em que tentava se colocar no lugar de meu pai. Era sempre assim, Luan nunca colocava a culpa em alguém por certa situação, mas sempre olhava os dois lados. Eu amava conversar com ele, amava me sentir confortável ao dividir minha vida com ele, porque me trazia paz. 

– Tente não se preocupar muito com isso, por mais que pareça impossível. – Acariciou meu rosto – Você precisa focar no seu trabalho, na sua felicidade.

– Boa parte da minha felicidade vem de você. – Confessei o olhando.

– E a minha de você. – Beijou o canto da minha boca – Por isso quero sempre te ver bem.

– Eu estou ótima com você aqui. – E então me aproximei o beijando com carinho.

– Com licença, casal. – Laura nos interrompeu – Mas você precisa tomar essa sopa.

– Você me ajuda? – Perguntei olhando Luan.

– Posso tentar.

Enquanto eu tomava minha sopa com a ajuda de Luan, conversamos sobre assuntos banais, fazendo com que eu esquecesse um pouco o meu final de semana. Depois passamos o restante da tarde no meu quarto namorando, acabei pegando no sono com os carinhos de Luan, só acordei ao ouvir meu celular tocando. Abri meus olhos e ele já não estava mais ao meu lado, olhei meu celular e tinha duas ligações perdidas de Benjamim. Já se passava das 20h, acabei me assustando um pouco com o tempo que dormi, mas me senti bem mais descansada e sem nenhum pingo de dor de cabeça. Levantei ainda um pouco tonta por conta do sono, coloquei minhas pantufas, abri a porta e ouvi a risada de algumas pessoas vindo da sala. Caminhei com passos lentos, encontrando Luan, Laura e Douglas conversando animadamente na sala.

– Boa noite! – Falei olhando os três.

– Descansou? – Laura perguntou.

– Uhum...

– Vem cá. – Luan me chamou – Tá melhorzinha? – Apenas concordei com a cabeça enquanto me aconchegava em seus braços.

– Estou com fome.

– Vamos pedir uma pizza? – Douglas quase gritou.

– Vamos? – Laura concordou animada.

– Só se pedirem sorvete junto. – Reclamei.

– Existe alguma coisa nesse mundo que você ame mais que sorvete. – Luan perguntou colocando minhas pernas sobre as suas.

– Existe... Você. – O olhei carinhosa.

– Uau! Que declaração de amor, hem? – Douglas nos olhou rindo.

– Você é coisa mais preciosa desse mundo. – Luan beijou meu rosto – Te amo... – Sussurrou em meu ouvido.

Enquanto esperávamos nosso jantar chegar, ficamos conversando sobre bobagens, ao mesmo tempo em que eu recebia muito carinho de Luan. Era maravilhoso tê-lo ali comigo naquele momento, porque toda a força que eu precisava vinha dele, vinha desse amor. Eu queria muito que ele dormisse comigo naquela noite, mas ele mesmo achou melhor ir pra casa, pois eu precisaria descansar para o dia seguinte. E foi exatamente o que eu fiz, descansei bastante e acordei nova, me sentindo muito bem e com uma vontade enorme de ser feliz.

Uma semana depois...  

Essa semana foi extremamente corrida, quase não consegui respirar, fora o pouquíssimo tempo para me alimentar e descansar direito. Mas finalmente essa semana acabou, sábado chegou e com ele meu reencontro com aquele que tanto me traz felicidade. Rio de Janeiro era meu destino da vez, eu estava chegando ao hotel onde Luan estava hospedado, mas ele não sabia disso. Estava combinado de que eu chegaria apenas na hora do show, pois inventei um compromisso na agência, fazendo com que ele ficasse irritado e triste ao mesmo tempo. Combinei com Rober minha chegada, Claudio me pegou no aeroporto e seguimos para o hotel. Eu estava morrendo de saudade dele, de seu cheiro, seu beijo e tudo o que eu mais queria era poder ficar abraçadinha com ele pra sempre.

– Oi, Alice! – Rober me cumprimentou – Tudo bem?

– Tudo ótimo, Rober! – Sorri – Ele tá no quarto? – Perguntei quando entramos no elevador.

– Ele está em reunião com Amarildo e Arleyde. – Respondeu simpático – Vai ter uma surpresa quando voltar para o quarto.

– Essa é minha intenção. – Começamos a rir.

Quando chegamos ao quarto de Luan, Rober destrancou a porta, me ajudou com minha mala e depois saiu me deixando sozinha. O cheiro dele estava no ar, sua roupa sobre a cama, alguns cremes espalhados no banheiro e uma leve sensação de paz invadiu meu coração. Enquanto eu esperava Luan voltar, aproveitei para mandar uma mensagem para Laura e tomar um banho bem frio. Enquanto a água escorria por meu corpo, eu sentia uma necessidade enorme de ter Luan comigo naquele momento. Depois do meu banho demorado, coloquei um roupão fofinho que encontrei, sai do banheiro e ouvi o barulho da porta.

– Amorrrr? – Ouvi sua voz me chamando com aquele sotaque tão dele – É você que tá aí? – E então me encontrou o olhando só de roupão e tentando secar meu cabelo.

– Oi, meu bem! – Sorri o olhando, enquanto ele corria para meus braços.

– Você me enganou? – Me abraçou forte – Que cheirinho bom... – Cheirou meu pescoço.

– Só quis fazer uma surpresa. – Tentei falar enquanto ele me apertava.

– E que surpresa, hem? – Me olhou com nossos rostos colados – É tão bom ter você aqui, poder sentir seu cheiro, te segurar em meus braços. – Me apertou ainda mais – Você não faz ideia da minha saudade. – Sussurrou encostando seus lábios nos meus.

– Só não é maior que a minha. – Respondi com meus olhos fechados – Eu te amo... – Falei selando nossos lábios em um de nossos melhores beijos.

Luan intensificou nosso beijo, fazendo com que eu me sentisse no céu, mas ao mesmo tempo sem tirar os pés do chão. Ele me levou até a cama, deitando cuidadosamente em cima de mim, fazendo todo meu corpo acender de um desejo incomum. Quanto mais nos beijávamos, mais a vontade aumentava, mais o meu corpo suplicava pelo dele, mais nosso amor se fortalecia.

– Sabia que você fica maravilhosa assim? – Falou interrompendo o beijo.

– Assim como? – Perguntei ainda sem fôlego.

– Só de roupão, toda molhadinha, nua, inteira pra mim. – Falou colocando sua mão por dentro do roupão – Gostosa demais. – Espremeu os olhos – É sério que tudo isso é meu? – Levantou um pouco desamarrando meu roupão.

– Tudo seu. – Mordi meus lábios com desejo.

– Eu sou o homem mais sortudo desse mundo, sabia? – Tirou de vez meu roupão jogando-o no chão – Alice, eu sou louco por você!

E assim nós fizemos amor, com uma mistura de saudade, desejo, paixão e um amor que se fortalecia a cada milésimo de segundo. O respeito que Luan tinha por mim era algo encantador, esse carinho com que ele cuidava do meu corpo, dos meus sentimentos, do meu amor. Sinceramente, foram poucas às vezes em que fizemos amor como naquela tarde de sábado, foi algo surreal. Eu me sentia amada, querida, desejada por aquele homem que eu tanto amava, ele tinha o prazer de fazer com que eu me sentisse importante. Só que em meio a tudo isso, eu não imaginei que em algum momento eu poderia me sentir insuficiente. Quando chegamos ao nosso ápice juntos, senti algo profundamente ruim dentro de mim, algo que me deixou triste. Eu não queria, mas naquele momento senti como se eu fosse só mais uma na vida de Luan. Ao mesmo tempo em que eu me sentia usada, não me sentia digna de estar ao lado dele, nem naquele momento, nem nunca. Tentei tirar aqueles pensamentos perturbadores da minha cabeça, mas parecia mais forte que eu.

– Amor? – Me chamou encostando seu corpo no meu – O que foi? – Perguntou tentando me olhar.

– Nada... – Tentei falar sem que eu precisasse olhar em seus olhos.

– Eu te machuquei? – Perguntou preocupado.

– Claro que não, meu amor! – Respondi forçando um sorriso.

– Não quer falar?

– Eu quero tomar outro banho. – Levantei pegando o roupão.

Enquanto eu entrava no banheiro, fiquei tentando afastar aqueles pensamentos, por mais difícil que poderia ser. Deixei o roupão de lado, abri o chuveiro e deixei que a água fria banhasse meu corpo, sentindo uma sensação ruim tomar meu coração. Eu não queria ter que pensar em nada disso, não queria estragar meu momento com ele, eu só queria poder ser feliz. Enquanto eu estava presa em meus pensamentos, tomei um pequeno susto ao senti Luan me abraçando por trás. Ele me prendeu em seus braços, fazendo com que eu me sentisse segura e confortável, encostei minha cabeça em seu peito e respirei fundo. Depois de um bom tempo sentindo seu corpo no meu, senti necessidade de olhar em seus olhos e falar tudo o que me incomodava. Tirei seus braços de minha cintura, me virei fazendo com que ele me olhasse ainda preocupado.

– Eu tenho tanto medo de te perder. – Falei sincera – Tenho tanto medo de tudo isso acabar.

– E tem motivos para que você se preocupe com isso? – Perguntou encostando nossos corpos novamente – Em algum momento eu te deixei duvidar do que eu sinto?

– E se o que a gente sente um pelo outro não for suficiente? – Perguntei o olhando.

– Suficiente pra que?

– Pra você não se cansar de mim e simplesmente ir atrás de outra. – Ele levantou lindamente uma sobrancelha – Tem muitas mulheres lindas atrás de vocês...

– É disso que você tem medo? – Me interrompeu – Tem medo de que eu me canse de você e vá atrás de outra?

– Luan...

– Como que você pode falar um absurdo desses? – Segurou meu rosto para que eu o olhasse – Alice, eu não quero outra mulher.

– Não?

– A mulher que eu quero está bem aqui na minha frente. – Falou sincero – Amor, você não é como as outras.

– Me desculpa... – O abracei – Não sei por que fico pensando nisso.

– Porque você não confia em mim.

– Claro que eu confio em você, Luan!

– Então tira essa insegurança do seu coração e se permita ser feliz comigo. – Beijou minha testa.

– Eu quero ficar aqui com você pra sempre. – O abracei muito forte.

– Podemos dar um jeito nisso. – Brincou me fazendo rir.

– Podemos?

– A gente casa e fica por aqui mesmo. – Me puxou para mais perto dele.

– Acho uma ideia ótima. – Sorri.

Enquanto terminávamos de tomar nosso banho, Luan conseguiu tirar todos os piores pensamentos da minha cabeça, apenas com algumas palavras de amor e confiança. Passamos o restante do nosso dia namorando, conversando, até conseguimos tirar um cochilo antes do show. Era dessa paz que eu precisava, dessa felicidade para me sustentar, de pensamentos positivos e cheios de verdade para não me deixar fraquejar. 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

(Capítulo 53 – Crise de estresse)

Assim que coloquei meus pés em São Paulo, respirei fundo, sentindo uma vontade enorme de ser feliz. Queria apagar aquele momento horrível da minha memória, tentar guardar apenas os momentos bons que passei com minha família. Tudo aquilo me machucava bastante, fazia meu coração ficar apertado, porque eu nunca desejei ficar longe das pessoas mais importantes da minha vida. Não conversei muito com Laura, mesmo ela querendo o tempo inteiro me distrair com algo engraçado. Chamamos um táxi, seguimos para nosso apartamento, enquanto eu trocava algumas mensagens com Luan. Preferi não comentar com ele sobre o que aconteceu, pois eu não queria ter que preocupá-lo, poderíamos conversar melhor sobre isso depois. Desejei a ele um maravilhoso show, avisei que eu estava voltando pra casa e que eu gostaria de vê-lo o quanto antes. Chegamos ao nosso condomínio depois de quase uma hora e meia, subimos depois de cumprimentar seu Pedro, que estava encantado com o nascimento do neto.

– Como está se sentindo? – Laura perguntou quando sentei no sofá.

– Estou triste... – Tentei falar.

– Aos poucos tudo vai se resolver, ele vai entender.

– Entender? Será mesmo que um dia ele vai entender que minha felicidade está aqui? – Ela apenas me abraçou forte.

– Vamos tentar esquecer isso um pouco? – Tentou me animar – Já estamos em casa, vamos pedir um jantar bem especial.

– Não tenho ânimo pra nada, quero dormir.

– Vou pedir uma pizza. – Ignorou o que eu disse – E um pote de dois litros de sorvete de floresta negra.

– Tá brincando né, Laura? – A olhei incrédula – Como é que você faz uma coisa dessas?

– Ué, eu não estou fazendo nada. – Prendeu o riso.

– Tá, pede nossa pizza. – Segui até a cozinha – Mas não esquece o sorvete.

Laura era a melhor pessoa do mundo, todos os dias ela me mostrava que seu amor por mim era grande demais, que estaria sempre comigo. Eu a amava profundamente, sabia que eu poderia contar com sua amizade em todos os momentos de minha vida. Enquanto esperávamos nosso jantar chegar, aproveitamos para guardar nossas coisas e tomar um banho. Vesti um pijama confortável, coloquei minhas pantufas, fiz um rabo de cavalo no cabelo e voltei para a sala. Jantamos tentando conversar sobre coisas boas, Laura parecia uma criança comendo pizza, toda feliz. Depois de o nosso maravilhoso jantar, assistimos a um filme, Laura conversou rapidamente com Douglas e acabou se recolhendo. Fiquei mais um pouco ali na varanda, me balançando naquela maravilhosa cadeira, sentindo o vento fazer carinho em meu rosto. Senti uma tristeza profunda ao lembrar aquele momento horrível de discussão com meu pai e meu tio. Queria que tudo tivesse terminado da melhor maneira possível, queria que meu pai finalmente entendesse que eu estou bem, fazendo o que eu amo, sendo feliz. Senti uma saudade terrível de Luan, queria que ele estivesse ali comigo, mas eu sabia que não era possível. Respirei fundo, tentei focar toda a minha atenção no trabalho que eu teria essa semana inteira. Voltei para o meu quarto, arrumei minhas coisas para o dia seguinte e tentei dormir, pois essa era a melhor coisa que eu poderia fazer nesse momento. Acordei no dia seguinte sentindo uma leve pontada na cabeça, meus olhos não queriam abrir, senti como se eu tivesse sido atropelada por um caminhão. Tentei levantar com cuidado, vesti uma roupa confortável, organizei minhas coisas e segui para a cozinha.

– Bom dia! – Laura me olhou sorrindo – Misericórdia, que cara é essa?

– Estou péssima? – Perguntei sentando – Estou me sentindo como se um caminhão tivesse passado por cima de mim.

– Não quer ir ao médico? – Perguntou preocupada.

– Não, vou tomar um café bem forte, um remédio e vou trabalhar. – Comecei a me servir – Volto pra casa caso eu não melhore.

– Eu espero que volte mesmo. – Ainda me olhava preocupada.

– Maria não veio hoje?

– Não, ela precisou levar o filho no médico.

Terminamos nosso café da manhã, Laura pegou sua bolsa, descemos juntas e ela me deixou na agência. Assim que cheguei lá cumprimentei meus colegas, segui para a minha sala e Gisele me passou todo o meu trabalho da semana. Bastante trabalho, me fazendo agradecer, porque só assim eu poderia ocupar minha cabeça e esquecer um pouco tudo o que aconteceu. Hoje eu trabalharia interno, mas na terça, quarta e quinta eu faria trabalhos externos, sexta eu voltaria pra agência e no final de semana eu teria folga pra poder viajar com Luan.

– Você tá bem, Alice? – Marina perguntou preocupada.

– Só um pouco de dor de cabeça. – Respondi baixo.

– Parece que você tá gripada.

– Não posso nem pensar em ficar gripada. – Choraminguei – Essa vai ser uma semana corrida.

– Mas caso você precise ir ao médico, nós seguramos as pontas aqui pra você. – Sthé respondeu.

– Seu eu não melhorar até mais tarde, aviso a vocês. – As agradeci carinhosamente.

Quando deu a hora do almoço, preferi ficar ali mesmo, pois eu não tinha nenhum pouco de vontade de comer. Minha cabeça ainda estava doendo muito, o barulho do pessoal falando me incomodava, a luz do notebook me incomodava, eu estava sentindo um grande mal estar. Enquanto eu tentava relaxar um pouco, acabei me assustando com meu celular tocando, era Luan.

– Oi! – Atendi fraca.

– Oi, meu amor! – Parecia ter acordado agora – Tudo bem?

– Sim... 

– Sério? E que vozinha é essa?

– Não estou me sentindo muito bem. – Respirei fundo.

– E onde você está?

– Na agência.

– Amor, o que você tem? – Perguntou preocupado.

– Estou sentindo um pouco de dor de cabeça, um mal estar.

– E não foi ao médico?

– Não, daqui a pouco eu melhoro.

– Já comeu?

– Não, estou sem vontade. – Respondi receosa.

– Sem vontade, Alice? Tá me deixando ainda mais preocupado.

– Não precisa se preocupar.

– Eu vou te buscar. – Pareceu decidido.  

– Me buscar? Eu não vou embora agora, amor.

– Alice, eu não vou te deixar aí desse jeito. – Falou autoritário – Fala com seu chefe, diz que você não está bem.

– Luan...

– Com saúde não se brinca, Alice! – Então me convenci.

– Tudo bem, mas preciso aguardar as meninas voltarem para que elas possam fazer tudo por mim.

– Aí você me liga e eu vou te buscar.

– Você é sempre assim? – Perguntei sentindo minha voz falhar.

– Cuidadoso? – Perguntou me roubando um sorriso.

– Exagerado.

– Não sou exagerado, só gosto de cuidar de quem eu amo.

– E você me ama?

– Amo muito... – Respondeu sincero – Você sabe bem disso.

– Estou me sentindo tonta. – Reclamei.

– Sua voz me diz o quanto você não está bem.

Continuamos conversando por mais alguns minutos, até que as meninas chegaram, elas deram toda razão a Luan e disseram que poderiam cuidar de tudo sozinhas. Falei com Bruno, ele mesmo percebeu que eu não estava bem, mas pediu que eu ficasse mais um pouco apenas para que eu recebesse o contrato da empresa que eu trabalharia no dia seguinte. Lua não gostou muito, mas entendeu dizendo que estava saindo de casa e que me esperaria no estacionamento. Era quase 16h00 quando eu consegui sair da agência, estava me sentindo extremamente fraca, ainda com muita dor de cabeça. Peguei minhas coisas na sala, caminhei até o estacionamento e encontrei o carro de Luan. Quando entrei, ele me olhou carinhoso, mas ao mesmo tempo preocupado, com todo cuidado me deu um beijo na testa.

– Como está se sentindo?

– Fraca, mas melhor com você aqui comigo.

– Vou te levar pra casa. – Começou a dirigir – E você vai ter que comer alguma coisa.

– Nem estou com fome. – Reclamei.

– Onde já se viu a pessoa passar o dia inteiro com o café da manhã, Alice? – Perguntou autoritário.

– Você pode falar um pouquinho mais baixo? – Pedi o olhando.

– Eu nem estou gritando.

– Mas tudo está me incomodando. – Encostei minha cabeça no banco – Eu quero dormir.

– Mas antes você vai comer nem que seja a força.

Seguimos para o meu apartamento, enquanto Luan não parava de falar, mas eu estava tentando não ligar muito pra sua preocupação exagerada. Quando chegamos ao meu condomínio, Luan estacionou o carro, cumprimentamos o porteiro e subimos de mãos dadas. Então quando fui abrir a porta, dei de cara com Laura em pé na sala olhando o celular toda atenciosa.

– Já? – Ela perguntou preocupada – Você não melhorou?

– Quero dormir. – Reclamei me jogando no sofá.

– Oi, Luan! – O cumprimentou com um abraço – Você foi buscá-la?

– Sim, ela me ligou dizendo que não estava se sentindo bem. – Sentou colocando minha cabeça em suas pernas.

– Não quer ir ao médico? – Laura perguntou.

– Não, chama o Gustavo?

– Vou ligar pra ele.

– Quem é Gustavo? – Luan perguntou me olhando.

– Um amigo nosso que é médico.

Laura falou rapidamente com Gustavo, enquanto eu fui para meu quarto, coloquei minhas coisas na cama e tomei um banho quente. Vesti uma rouba bastante confortável, coloquei minhas pantufas para esquentar meus pés e voltei pra sala, onde Luan me esperava com Laura.

– Sorte sua que ele estava aqui perto. – Lau me olhou sorrindo – Tá chegando.

– E o que você tá fazendo? – Perguntou quando ela seguiu para a cozinha.

– Uma sopa bem deliciosa pra você.

– Sopa, Laura? – Fiz careta.

– Não adianta fazer careta, porque essa está deliciosa mesmo.

– E essas pantufas? – Luan perguntou quando sentei ao seu lado no sofá.

– São para esquentar meus pés. – Me encolhi em seus braços.

– E eu não estou aqui? – Perguntou indignado.

– Sim, amor. – Sorri – Mas por enquanto uso minhas pantufas. – Nos assustamos com a campainha tocando.

Gustavo chegou logo colocando sua bolsa no sofá e me consultando, perguntou o que eu estava sentindo, se eu estava me alimentando normalmente. O apresentei para Luan, que no primeiro momento ficou meio com ciúmes da maneira como Gustavo nos tratava, mas logo sossegou quando Laura perguntou de Amanda, sua esposa.

– Você anda trabalhando muito, Alice?

– Um pouco. – Respondi apreensiva.

– Você teve alguma raiva esses dias? – Perguntou me fazendo olhar de imediato para Laura.

– Sim... – Respondi baixo.

– Você teve uma crise de estresse emocional. – Ele foi direto – Geralmente elas causam essa dor de cabeça e muscular, falta de apetite, entre outras coisas.

– E agora?

– Eu vou passar esse remédio aqui. – Fez uma receita – Você compra e toma de oito em oito horas durante seis dias. 

– Tá bom.

Enquanto Gustavo conversou comigo mais sobre o meu caso, Laura desceu na farmácia para comprar meu remédio, enquanto Luan só prestava atenção em tudo o que o médico dizia. Ele me aconselhou a tomar direitinho o remédio, porque eu tive apenas os primeiros sintomas, mas que poderiam aparecer outros caso eu não me cuidasse. Depois que Laura voltou e Gustavo foi embora, Luan me olhou como se quisesse saber o motivo pelo qual eu tive essa crise de estresse. É, dessa vez eu não tinha como fugir de uma boa conversa com ele, nem queria, pois eu precisava desse momento.